Itaú aplica truque no lucro para aumentar exploração dos funcionários

A redução do número de funcionários e um discurso de crise que justifica segurar dinheiro no cofre e tirar do cálculo do lucro tornam o Itaú Unibanco o campeão de exploração do trabalhador no país. O banco divulgou, na terça-feira passada, dia 23, o segundo maior lucro da história dos bancos no Brasil nos primeiros nove meses do ano. O banco também maquiou as contas ao aumentar em 20% o Provisionamento para Devedores Duvidosos (PDD).

O truque foi apresentar uma queda de lucro de 13,4% em relação ao terceiro trimestre de 2011 (R$ 3,940 bilhões) e deixar em segundo plano que, no acumulado dos primeiros nove meses do ano, o Itaú Unibanco registrou lucro de R$ 10,102 bilhões, o segundo maior da história dos bancos no país.

“Este lucro é fruto do trabalho dos poucos funcionários que infelizmente não são reconhecidos pela empresa. Tem pouca gente para cumprir uma demanda de trabalho muito maior. O banco maquia o lucro, enxuga o quadro e aumenta o horário de atendimento em agências e shoppings do Brasil. É o maior em exploração também”, diz o diretor do SindBancários, Antonio Augusto Borges, o Guto.

As provisões para maus pagadores somaram R$ 5,939 bilhões de julho a setembro, alta de quase 20% sobre um ano antes. Não haveria motivos, pois a inadimplência nos primeiros nove meses do ano caiu 0,1 do ponto percentual.

Mesmo diante do cenário positivo, o Itaú enxuga o quadro, continua lucrando, demite, eleva as metas e não baixa as taxas de juro e de serviços bancários. O resultado é a exaustão dos funcionários. E, como se não bastasse, amplia o horário de atendimento ao público, com agências abertas entre 9h e 20h diariamente.

“Como é que pode um banco trabalhando neste regime e com cada vez menos funcionários? Os colegas não conseguem tirar férias de 30 dias. Muitos atendem sozinhos em agências de shoppings e não conseguem almoçar e nem mesmo ir ao banheiro. Há pessoas cada vez mais gravemente doentes. Porque trabalhar doente é regra no Itaú”, acrescenta Guto.

O clima é de indignação nas agências. Ninguém aguenta mais. Tanto que, na última quinta-feira, dia 25, em São Paulo, o caso do Itaú foi debatido em reunião da COE-Itaú (Comissão de Organização dos Empregados do Itaú). Os bancários querem buscar explicações junto à direção para o motivo que tornou o Itaú o banco que mais explora no país.

Fonte: SindBancários/UOL

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