Bancários exigem suspensão imediata das demissões no Santander

Justamente agora, nas proximidades do Natal, férias e Ano Novo, momento em que os bancários e as bancárias estão organizando as festas de final de ano, o Santander deflagrou uma nova onde de demissões.

Nesta segunda-feira (3) ocorreu uma série de demissões em todo país, segundo informações enviadas por vários sindicatos e federações para a Confederação dos Bancários, a Contraf-CUT. Ainda na última quinta-feira (29), os bancários de São Paulo fizeram uma manifestação contra dispensas na Torre Santander, onde foram mandados embora 40 funcionários dos setores de Recursos Humanos, Jurídico, Organização e Eficiência e o de Gestão Integral e de Gastos.

Ainda não há números conhecidos sobre o total de trabalhadores demitidos. A Contraf-CUT já está fazendo um levantamento nacional junto aos sindicatos. O Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e Região também está realizando o levantamento na área de abrangência da entidade.  

No Nordeste, dados preliminares de alguns sindicatos são preocupantes. Ocorreram 30 demissões em Pernambuco, 23 na Bahia, 14 em Alagoas e 10 na Paraíba. Na sua maioria, os desligados foram gerentes, com mais de 10 anos de banco e salários mais elevados. Houve também dispensas em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, dentre outros estados, além de Brasília. Segundo informações da Contraf, os diretores da Confederação já solicitaram uma nova negociação com o banco para discutir a suspensão imediata das demissões e a manutenção dos empregos dos trabalhadores bancários.

Nos nove primeiros meses do ano, o banco lucrou R$ 5,694 bilhões no Brasil, o que representa 26% do lucro mundial do Santander. Para os representantes sindicais da categoria, não há nada que justifique essas demissões.

"Ao invés de demitir, o banco deveria, isto sim, fazer mais contratações, como foi reivindicado pelas entidades sindicais na última negociação com o banco, no dia 22 de novembro, durante o Comitê de Relações Trabalhistas", ressalta Ademir Wiederkehr, funcionário do banco e secretário de imprensa da Contraf-CUT. "Queremos melhores condições de trabalho, frear o adoecimento de trabalhadores e agilizar o atendimento aos clientes e usuários", defende o dirigente sindical

"Ao demitir trabalhadores, faltando menos de um mês para o Natal, o Santander revela que não respeita o Brasil e os brasileiros", critica o diretor da Contraf-CUT. "Exigimos a suspensão imediata das demissões, a manutenção dos empregos e a geração de novos postos de trabalho, como forma de responsabilidade social e contrapartida para o desenvolvimento do país", conclui.

Nelso Bebber, diretor do Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e Região e bancário do Santander salienta a preocupação do Sindicato com a categoria que está sofrendo com as demissões: “Uma demissão é sempre ruim, pior ainda na véspera de Natal, quando as famílias se preparam para as festas de final de ano e as férias. Essas pessoas que estão sendo demitidas são pais ou mães de família que, ao invés de ter uma alegria, estão tendo uma grande decepção”, reforça o dirigente sindical.

“Na nossa região da Serra gaúcha, uma região próspera de negócios, o Santander deveria abrir mais agências ao invés de reduzir os quadros de funcionários. E a fórmula é aquela já conhecida: menos funcionários geram mais assédio moral, mais doenças e pior atendimento ao cliente”, destaca Nelso.

Bancários paralisam agências contra demissões em massa no Santander – Indignados, os bancários estão parando agências do Santander na manhã desta terça-feira (4) em várias cidades do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, protestando contra as demissões em massa e exigindo a reintegração de todos os funcionários desligados. A Contraf-CUT já cobrou uma negociação com o banco, mas até o momento não obteve retorno.

Dirigentes sindicais estimam que aproximadamente mil bancários já foram demitidos do Santander.

"Tivemos informação que o banco prosseguirá as demissões até a próxima sexta-feira (7) e que pode atingir cerca de 5 mil em todo país. Isso é um absurdo, pois os trabalhadores brasileiros são principais responsáveis pela maior fatia do resultado global da empresa (26%). O banco não demite na Espanha onde há crise, nem em outros países da América Latina. Não aceitamos que dispensem os funcionários daqui", afirma Maria Rosani, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander.

Carta ao ministro do Trabalho – A Contraf-CUT enviou na manhã desta quarta-feira (5/12) carta ao ministro do Trabalho e Emprego, Brizola Neto, solicitando "a adoção de medidas no âmbito do governo federal para estabelecer um diálogo social com o Santander, visando a reintegração dos desligados, a manutenção dos empregos e o fim da rotatividade, como forma de contrapartida pelos excelentes resultados aqui obtidos".  Clique AQUI para ler a carta enviada.

Além da carta enviada a Brizola Neto, a Confederação dos Bancários também enviou solicitação de reunião ao diretor do Banco Santander no Brasil, Marcial Portela, na manhã desta quarta (5/12). Em carta, a Contraf solicitou "a marcação de nova reunião, dentro da maior brevidade possível, para discutirmos a reintegração dos funcionários desligados, a manutenção dos empregos, a melhoria das condições de trabalho e medidas que ampliem o crédito e estimulem o crescimento econômico do país, como contrapartida social pelos excelentes resultados aqui obtidos".
 

Sindicatos em todo o país estão realizando atividades de protesto contra as demissões no banco espanhol.


Informações atualizadas na manhã desta quarta, 5 de dezembro de 2012.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação Bancax e Contraf-CUT.

 

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