Rotatividade no Itaú e no Santander em discussão com o ministro do Trabalho

O ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Brizola Neto, promove na próxima quarta-feira, dia 16 de janeiro, às 14h30, uma audiência de mediação entre a Contraf-CUT (representante dos bancários) e o Itaú e Santander, em Brasília, para discutir a redução de empregos e a política de rotatividade dos dois bancos privados.

A data foi confirmada nesta sexta-feira, dia 11 de janeiro, após anúncio feito na quarta-feira, dia 9, durante audiência concedida para a Confederação e o Sindicato dos Bancários de Brasília, no gabinete do ministro, na capital federal.

As entidades sindicais apresentaram novos dados do Dieese sobre milhares de demissões e de fechamento de postos de trabalho nas duas instituições financeiras. "De um lado, os bancários perdem seus empregos e, de outro, o governo amplia os gastos com seguro-desemprego. Só os bancos saem ganhando, porque reduzem a folha de pagamento e aumentam ainda mais os seus lucros", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

Brizola Neto se mostrou preocupado com os números apresentados e reafirmou o seu compromisso com a geração de empregos e o combate à alta rotatividade, manifestado na 14ª Conferência Nacional dos Bancários, ocorrida em julho, em Curitiba.

Itaú – Os dirigentes sindicais apresentaram dados do Dieese, a partir dos balanços do Itaú, que apontam o corte brutal de postos de trabalho nos últimos dois anos. O banco ceifou 7.831 empregos entre janeiro e setembro do ano passado.

Somente no terceiro trimestre de 2012, o número de trabalhadores recuou de 92.517 para 90.427, uma redução de 2.090 vagas em apenas três meses. Desta forma, o banco aprofundou ainda mais o processo de extinção de empregos iniciado em abril de 2011, totalizando desde então o fechamento de 13.595 vagas, conforme análise feita pelo Dieese.


O presidente da Contraf-CUT disse ao ministro que o quadro pode piorar ainda mais este ano. O diretor corporativo de Controladoria e de Relações com Investidores do Itaú, Rogério Calderón, defendeu a política "de ganhar eficiência em 2013, estratégia que pode incluir a redução de pessoal, embora em velocidade menor que no ano passado", conforme notícia divulgada na terça-feira (8) pela Agência Reuters.



Santander – O presidente da Contraf-CUT apresentou a análise técnica do Dieese com base nos dados do Caged de 2011 e 2012 que foram entregues pelo Santander à Contraf-CUT a partir de determinação da procuradora do Ministério Público do Trabalho, Ana Cristina Tostes Ribeiro.

O Santander contratou 14.692 empregados em 2012 e desligou 14.980, um corte de 288 postos de trabalho. O banco fechou o ano com quadro de 51.237 funcionários. Em Caxias do Sul, foram desligados 10 funcionários que tinham mais de dez anos de carreira no banco. Desta forma, enquanto a taxa de rotatividade no setor bancário foi de 7,6%, o índice no Santander atingiu 28,8% em 2012 – quatro vezes superior à vigente no setor. “Mantida essa taxa em três anos, o banco terá ‘girado’ quase 100% dos seus funcionários”, avalia o Dieese.

Em dezembro, o Santander ainda promoveu demissões em massa. Após determinação do MPT, o Santander enviou para a Contraf-CUT uma lista de 1.280 desligamentos às vésperas do Natal. E o número poderia ter sido maior se não fossem as denúncias dos bancários e as mobilizações/atos que ocorreram em todo o país, inclusive em Caxias do Sul, para coibir essas demissões.

Segundo dados apresentados em audiência de mediação no MPT, o banco disse que contratou 325 funcionários em dezembro, o que representa o corte de 955 empregos no último mês de 2012.



As demissões no Santander reacenderam as discussões a respeito da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho, que proíbe demissões imotivadas – uma maneira de acabar com essa verdadeira onda de dispensas nos bancos.

Fonte: Contraf-CUT/Assessoria de Comunicação Bancax.

 

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