Banrisul: banco culpa queda da taxa de juros para lucro menor em 2012

Os gestores do Banrisul mantiveram o discurso de crise para endurecer na mesa de negociação e reduzir os índices de aumento nas verbas salariais dos trabalhadores e nos critérios do Plano de Carreira do banco, durante a manhã desta quinta-feira, dia 14 de fevereiro, no Salão Nobre do quarto andar da Diretoria Geral.

O lucro líquido anunciado pelo presidente Túlio Zamin foi de R$ 818,6 milhões, 9,5% menor do que o resultado de 2011 (R$ 904 milhões).  Já o patrimônio líquido cresceu 11,2% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 4,9 bilhões.

Mesmo com um lucro considerado muito bom pelo presidente da instituição e com um aumento considerável no patrimônio líquido, o Banrisul mantém a lógica de maldizer o contexto: além de lamentar a crise internacional e a maior competitividade entre os bancos, anuncia a redução das taxas de juros como a nova vilã do setor financeiro. O remédio, segundo a receita da direção, é “melhorar a eficiência” em 2013 para ampliar os resultados financeiros. Tudo porque a redução da taxa básica de juros, a Selic, complicou a vida do sistema financeiro.

Como entender a palavra eficiência e o discurso de crise do presidente Tulio Zamin no contexto da luta dos bancários e bancárias por melhores condições de trabalho? Zamin fala em eficiência para reduzir o Provisionamento para Devedores Duvidosos (PDD) e o custo operacional nos dois primeiros semestres e no ano inteiro, respectivamente. Deu a entender que o resultado só não foi melhor porque o contexto de redução da taxa de juros encolheu a margem de lucro nas operações de crédito, junto ao chamado spread bancário, a competitividade cresceu, ficou mais difícil lucrar no setor financeiro e há novos consumidores precisando de serviços bancários, o que eleva a inadimplência. Estão criadas as condições discursivas para anunciar a necessidade de investir em “eficiência”.

O recado de Zamin para os trabalhadores é direto. Diante do contexto de negociação do novo Plano de Carreira com prazo para conclusão de estudo em 30 de março, entre direção do banco e representantes sindicais, o presidente do Banrisul fez uma comparação simples. Para ele, Plano de Carreira e a expansão de agências têm a mesma importância, assim como o contexto de eficiência. Aquele não vive sem essas duas. Para isso, duas promessas em perspectiva. A primeira é reverter o aumento do custo operacional para melhorar a eficiência.

A outra é fazer com que os dois primeiros trimestres de 2013 possam reverter o aumento do provisionamento que o banco fez em 2012, de 35,4%. “O Plano de Carreira está sendo negociado com os trabalhadores. Tratamos como uma política muito importante. Vamos fazer isso na perspectiva da melhoria da eficiência pensando nas diversas carreiras que estão em jogo e em que os trabalhadores tenham benefícios”, disse. 

O aumento de 34,5% no provisionamento não tem justificativa. O balanço divulgado nesta quinta mostra que a inadimplência cresceu pouco ante a expansão de 19,3% da carteira de crédito do Banrisul em 2012. Nas operações de crédito de 60 dias, a inadimplência cresceu 1,04 ponto percentual, passando de 2,76% (2011) para 3,8%, em dezembro de 2012. As operações de crédito de 90 dias tiveram um crescimento ainda menor em termos de inadimplência. Foram 0,55 do ponto percentual na diferença entre os meses de dezembro de 2011 e 2012, respectivamente, 2,38% e 2,93%.

 

Para o presidente do SindBancários (Porto Alegre), é preciso cuidar do patrimônio do banco, torná-lo ainda mais eficiente e lucrativo, mas também é fundamental garantir que os banrisulenses sejam beneficiados por este crescimento. “Quando ouvimos falar em eficiência diante de indicadores tão bons, levamos um susto. Porque, historicamente, os bancos querem lucrar sempre e arrochar salários. É isso que acontece. Nossa leitura desse anúncio do balanço é que os gestores do Banrisul trouxeram mais um argumento para manter o arrocho e lucrar ainda mais. Agora, eles culpam justamente o que tem feito o povo brasileiro ter mais acesso ao consumo, que é a queda da taxa de juros”, analisa Mauro Salles.

O dirigente disse entender que o novo cenário exigirá maior trabalho dos bancos e maior investimento. Este cenário pode fazer com que os trabalhadores sejam mais decisivos na hora de vender serviços, uma vez que o Banrisul tem por meta aumentar sua carteira de clientes e precisará investir em negócios.

Fonte: SindBancários com edição da Assessoria de Comunicação Bancax.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 − sete =