Em avaliação do projeto-piloto, bancários cobram BO de todos os ataques

A Contraf-CUT e o Sindicato dos Bancários de Pernambuco cobraram da Fenaban a emissão de Boletim de Ocorrência (BO) em todos os ataques sofridos pelos bancos. A cobrança foi feita nesta segunda-feira, dia 26, durante a quinta reunião do Grupo de Acompanhamento do Projeto-piloto de Segurança Bancária, realizada no Recife.

Durante os debates, os representantes da Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco revelaram que os bancos não estão registrando BO em todas as ocorrências. A Fenaban justificou que tem aberto boletins no caso de assaltos, mas confessou que tem deixado de registrar ocorrências de arrombamento e furto.

A presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, destacou para os representantes da Fenaban que os bancos estão descumprindo a cláusula 32ª da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários, que garante a obrigatoriedade da emissão do BO em todas as ocorrências. "Cobramos que os bancos regularizem imediatamente a situação", disse Jaqueline.

Para o diretor da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, Ademir Wiederkehr, o registro de todas as ocorrências é fundamental para auxiliar os sindicatos, os bancos e a própria polícia no trabalho de prevenção à criminalidade.

"Precisamos conhecer as reais fragilidades das agências para que os bancários, os vigilantes e os clientes não fiquem expostos à insegurança. Queremos proteger a vida das pessoas e, mesmo que o crime tenha ocorrido sem vítimas, temos de saber quais foram as vulnerabilidades para corrigi-las", justificou Ademir.

Os dirigentes sindicais defenderam o envio de cópia do BO pelos bancos ao sindicato local e à Contraf-CUT, conforme consta na pauta de reivindicações das últimas campanhas nacionais. "Isso permitiria que as entidades possam fiscalizar o cumprimento da cláusula da CCT, acompanhar as vítimas dos ataques a bancos e discutir medidas para melhorar a segurança dos estabelecimentos", salientou Ademir.

Mais segurança

Assinado em 14 de maio de 2013, o Projeto-piloto de Segurança Bancária foi implantado há nove meses em 209 agências de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. De lá para cá, o número de assaltos a banco nestas três cidades caiu em 34%, segundo dados apresentados na reunião desta segunda-feira – foram oito assaltos desde agosto, contra 12 no mesmo período do ano anterior.

A Contraf-CUT e o Sindicato cobraram mais dados da Fenaban e da SDS, tanto sobre ataques a bancos como no que se refere aos crimes de "saidinha de banco".

"Solicitamos dados dos dois anos anteriores ao projeto-piloto (de agosto de 2011 a julho de 2013) e após a implantado dos itens de segurança (de agosto de 2013 para cá), a fim de comparar a evolução das ocorrências e verificar a eficácia das medidas do projeto-piloto", explicou Ademir.

O representante da Polícia Civil se comprometeu a enviar os dados solicitados nos próximos dias. Os policiais, porém, disseram que os casos de "saidinha de banco" são bastante subnotificados, já que boa parte das vítimas não registra Boletim de Ocorrência.

"Os representantes da Secretaria rebateram a alegação dos bancos de que a \’saidinha de banco\’ não estava bem caracterizada e disseram que esse crime está muito bem tipificado e devidamente regulamentado", disse Ademir.

Segundo Jaqueline, a Fenaban ainda tentou minimizar a importância da "saidinha de banco", alegando que esse tipo de crime não é objeto do projeto-piloto. "Refutamos na hora essa afirmação da Fenaban e mostramos que este é sim um dos objetos do projeto. Não é à toa que entre os itens de segurança instalados estão os biombos entre os caixas para dar privacidade nas transações e as câmeras nas áreas internas e externas. No final, acho que fizemos um bom debate com a Fenaban", conta Jaqueline.

Vidros blindados

O Sindicato e a Contraf-CUT voltaram a exigir dos bancos a instalação de vidros blindados nas fachadas das agências. Esse item de segurança não está previsto no projeto-piloto. Os bancos sempre alegaram que este item não fazia diferença, já que os casos de assaltantes que entravam nas agências quebrando os vidros eram esporádicos.

"No entanto, dos oito assaltos sofridos em Recife, Olinda e Jaboatão após a implantação do projeto-piloto, quatro só foram possíveis porque os bandidos quebraram o vidro das agências utilizando marretas. Reafirmamos a importância dos vidros blindados, porque banco não é butique e não pode ter fragilidade alguma na segurança", destacou Ademir.

Adequações nos biombos

O diretor do Sindicato, João Rufino, relatou na reunião que um dos problemas do projeto-piloto eram os biombos instalados de forma irregular. "Constatamos nos últimos dias que o Itaú corrigiu os problemas que apontamos e agora os biombos estão instalados de forma correta. O único banco que ainda tem problemas nesta área é o Banco do Brasil", disse.

Além dos biombos e das câmeras nas áreas internas e externas das agências, o projeto-piloto garantiu, também, a instalação de porta giratória com detector de metais, guarda-volumes e cofres com retardo, além da presença de vigilantes armados e com coletes a prova de balas.

A próxima reunião ficou marcada para o dia 21 de julho.

Participação

Também participaram da reunião a diretora do Sindicato de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, e o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Carlos Damarindo.

A SDS foi representada por um investigador da Polícia Civil e por dois coronéis da Polícia Militar. Já as prefeituras das três cidades do projeto-piloto e o Ministério Público, mais uma vez, não compareceram.

Fonte: ContrafCUT com Seec Pernambuco

 

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