Corpo de ex-bancário da Caixa preso e morto na ditadura será exumado

Com autorização da Justiça, legistas da Comissão Nacional da Verdade (CNV) vão exumar o corpo do ex-bancário Abelardo Rausch de Alcântara, morto há 44 anos, durante o regime militar, após ser preso pela Polícia do Exército em Brasília.

A CNV teve acesso a documentos inéditos, trabalho de investigação durante 18 meses da estudante de jornalismo Jussara Santos Rodrigues, 22 anos. Em pesquisas e entrevistas com familiares, amigos e legista, ela convenceu a Comissão de que Abelardo foi preso injustamente e foi a óbito com fortes indícios de tortura.

Conselheiros da CNV avisaram a Jussara que agora têm convicção de que Abelardo é um morto político. A estudante concluiu o curso sob orientação da professora Angélica Cordova. A Comissão tem até novembro deste ano para apresentar à presidente Dilma Rousseff seu relatório final.

MOTIVAÇÃO

Tudo começou quando Jussara leu a citação da morte suspeita de Abelardo no livro coletânea \’Direito à Verdade e à Memória\’. Até então, ninguém tinha aprofundado a investigação, nem a CNV.

"Vi que (a citação) estava muito complexa e vaga e resolvi investigar. Na internet tem algumas informações e desconfiei de todas. Então procurei a família\’\’, conta a estudante.

PRISÃO E MORTE

Abelardo era tesoureiro de banco, foi acusado sem provas de ter roubado dinheiro da agência da Caixa em que trabalhava – segundo relatos, após preso pela PE – e não pela Polícia Civil, a quem caberia – foi torturado no Pelotão de Investigações Criminais (PIC), o PIC da PE (Polícia do Exército).

Foi classificado pela PE como subversivo, mas não tinha qualquer ligação com comunistas ou grupos guerrilheiros à época. Após retirá-lo do PIC com muitos ferimentos, o Exército teria simulado um acidente de carro e levou Abelardo para um hospital, onde faleceu.

A Caixa, dias depois, informou numa nota simples que o dinheiro havia reaparecido, mas não deu detalhes, segundo pesquisas da estudante, como foi recuperado, e se o empregado falecido foi acusado ou não.

Fonte: UOL
 

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