Se bancos apoiam Aécio, nós bancários queremos Dilma, para manter avanços

O mercado financeiro, nacional e internacional, apoia abertamente a candidatura Aécio Neves. De forma tão descarada que, quando a Dilma sobe nas pesquisas, a Bolsa de Valores cai. No momento, está em forte queda. Além de manifestar sua preferência, os especuladores ganham dinheiro com essa manipulação. Para agradar aos bancos, Aécio já anunciou que pretende colocar no Ministério da Fazenda o especulador Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo FHC e legítimo representante do mercado.

Se os banqueiros estão desse lado, nós bancários claramente nos colocamos do outro, o da reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

É preciso deixar claro que não se trata de uma questão de pessoas. Prova disso é que, antes, parte significativa do mercado financeiro apoiava Marina Silva. O que está em disputa são dois projetos de país, antagônicos.

O que o mercado financeiro quer mesmo é derrotar o governo popular e democrático vitorioso nas urnas desde 2002. É uma estratégia muito bem coordenada, aqui e no exterior, e funciona como uma orquestra. Dela faz parte uma campanha sistemática de descrédito das políticas econômicas do governo, com grande ressonância no Wall Street Journal, Financial Times e The Economist , os grandes porta-vozes do capital financeiro e do neoliberalismo.

Aqui no Brasil a campanha é amplificada pela grande mídia, ganhando contornos de um verdadeiro terrorismo econômico. São anos a fio bombardeando a tese de que a política econômica fracassou e que o país está à beira do precipício.

O que os bancos privados querem é um governo que implemente sua doutrina, que prevê independência do Banco Central (onde dará as cartas), redução dos bancos públicos para ampliar o seu mercado, austeridade fiscal, câmbio livre, privatizações, terceirizações, superávit primário e juros altos para garantir seus altos rendimentos com títulos da dívida pública.

Pelo que está escrito em seu programa e pelas declarações do próprio candidato e de seus assessores, a candidatura Aécio oferece tudo isso aos bancos.

Já vimos esse filme antes. Esse receituário neoliberal inevitavelmente levará ao desemprego, a cortes de salários, de direitos dos trabalhadores e de programas sociais e à ampliação da exclusão social e da concentração da renda.

Nós, bancários, ao contrário, queremos o fortalecimento das políticas de desenvolvimento econômico e de inclusão social que vêm sendo implementadas desde 2003, que está reduzindo a pobreza e a concentração da riqueza, por intermédio da elevação do salário mínimo e de uma série de programas sociais que vão do Bolsa Família ao ProUni, passando pelo Minha Casa, Minha Vida e Mais Médicos.

Foi nesse cenário favorável que os bancários, graças à sua força e capacidade de mobilização, obtiveram muitas conquistas nos últimos 11 anos consecutivos. Foram 20,7% de ganho real nos salários e 42,1% de aumento acima da inflação no piso salarial, além de avanços importantes na PLR, nas condições de trabalho, no combate às metas abusivas e ao assédio moral, na segurança e na igualdade de oportunidades.

Ao contrário, nos oito anos do governo FHC regidos pelo receituário neoliberal que Aécio promete ressuscitar, a categoria bancária foi praticamente dizimada à metade e sofreu um brutal arrocho salarial, principalmente nos bancos públicos, onde em muitos anos houve reajuste zero.

Uma das razões do enxugamento da categoria foi o avanço gigantesco das terceirizações, que continuam ameaçando os trabalhadores, e os bancários em particular. A ofensiva pela aprovação da PL 4330 na Câmara dos Deputados, no ano passado, foi coordenada pelos bancos. Com muita mobilização, conseguimos barrar a ofensiva. Mas este e outros projetos de legalização da terceirização continuam na pauta do Congresso, à espera de votação. Se passarem, os caixas e gerentes serão extintos na categoria.

Nós, bancários, também somos contrários à independência do Banco Central e defendemos com ênfase o fortalecimento dos bancos públicos. Foi graças à atuação decisiva do Banco do Brasil, da Caixa, do BNDES, do BNB e do Banco da Amazônia que o Brasil superou a crise financeira de 2008, provocada pela irresponsabilidade e falta de controle do sistema financeiro.

Os bancos privados fecharam a torneira e encareceram o crédito. Por decisão do governo, os bancos públicos ampliaram a oferta de crédito. Antes da crise, eles detinham 36% das operações de crédito de todo o sistema financeiro. Saltaram para 51% do mercado, mantendo assim a roda da economia funcionando, o consumo aquecido e gerando empregos.

Sem o aumento da oferta de crédito do BB para a agropecuária, a agricultura familiar, para empresas e consumidores, o Brasil não teria saído da crise muito mais rápido que qualquer país do mundo. Sem o financiamento da Caixa, não estaria fazendo o maior programa de construção de moradia de toda a História. Sem os financiamentos do BNDES, o Brasil não estaria modernizando suas estradas, portos, aeroportos, retomando a construção de ferrovias, obras de metrô e corredores de ônibus, usinas hidrelétricas e eólicas, dentre tantas outras coisas.

Por tudo isso, seguindo as decisões da 16ª Conferência Nacional dos Bancários, do 25º Congresso dos Funcionários do BB e do 30º Congresso dos Empregados da Caixa, defendemos a reeleição da presidenta Dilma Rousseff e pedimos o voto na sua candidatura. Não ao retrocesso. É preciso avançar no caminho do desenvolvimento econômico e social, com geração de emprego e distribuição de renda.

Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT
 

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