Empresas espanholas não querem sindicalismo forte nas Américas

Uma das preocupações dos bancários do Santander reunidos na 11ª Reunião das Redes Sindicais de Bancos Internacionais, no Rio de janeiro, nesta quinta-feira (10), foi com as práticas antissindicais. Além dos muitos ataques à liberdade de ação dos sindicatos na América Latina, nos EUA o banco age para impedir a formação de uma entidade representativa dos trabalhadores.

Sindicalistas brasileiros já estiveram mais de uma vez no país, ao lado de colegas de vários países, buscando reuniões com a direção local do banco para tratar do assunto, mas nenhum avanço aconteceu.

Os bancários norte-americanos não têm um sindicato e, em função disso, não têm acordos coletivos que definam piso salarial, jornada de trabalho e benefícios. Desde que adquiriu o Sovereign Bank e iniciou sua atuação no EUA, em 2008, o Santander tem perseguido e até demitido trabalhadores que tentam se organizar para fundar um sindicato. Uma das decisões da rede sindical do Santander foi colaborar com os bancários norte-americanos e fomentar a criação de uma entidade sindical.

Os sindicalistas do Santander também decidiram enviar carta à nova presidente do Santander, Ana Patricia Botín, solicitando uma reunião para discutir a assinatura de acordos-marco que definam os direitos dos empregados do banco no mundo todo. Ana Botín, que está no cargo desde setembro do ano passado, ainda não teve nenhuma aproximação com representantes dos trabalhadores.

Violência

Os bancários reunidos no evento também ouviram as denúncias apresentadas por representantes dos trabalhadores da espanhola Prosegur, maior empresa de segurança do mundo, que vem não só perseguindo, mas agredindo fisicamente sindicalistas. Foram exibidas fotos dos feridos e relatados fatos alarmantes. Um deles aconteceu na Colômbia, onde o tesoureiro do sindicato recebeu uma excelente oferta de emprego em troca de remover o presidente da entidade. A empresa ainda o ameaçou, dizendo que, caso não concordasse, "sofreria as consequências".

No Chile, onde os empregados da Prosegur estão em greve há mais de um mês, a postura da empresa é semelhante. A firma não negocia e ainda manda os carabineros, a polícia militar chilena, reprimirem com violência os protestos dos trabalhadores, usando bombas de gás e canhões d\’água.

Os empregados da Prosegur no Chile, Colômbia e Peru se cansaram de perseguições, violência e ameaças e estão em campanha contra a empresa. A principal ação visa manchar a imagem pública da companhia no mundo todo. A Prosegur é uma das empresas que integram uma campanha do governo espanhol que pretende divulgar a Marca Espanha, ressaltando as virtudes do país em vários campos. Os sindicalistas produziram um vídeo e material impresso que questionam estas virtudes, mostrando o contraste entre a propaganda e a realidade da atuação da empresa.

Os sindicalistas bancários se comprometeram a apoiar a luta dos trabalhadores da Prosegur, divulgando o vídeo, fazendo fotos para as redes sociais e espalhando o material impresso da campanha nas proximidades de unidades de outras empresas espanholas, como os bancos Santander e BBVA. Ao final do encontro, os bancários fizeram uma fotografia de grupo com cartazes denunciando a ação violenta da Prosegur e pedindo o fim das perseguições.

Fonte: Contraf-CUT
 

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