18ª Conferência: Bancários discutem o \’Banco do Futuro\’

Em seu último filme mudo, Tempos Modernos (1936), Charles Chaplin faz uma dura crítica à sociedade industrial capitalista, na qual os operários se submetiam a uma forma de produção que ignorava suas condições físicas e psicológicas, e que visava o lucro, independente das condições dos trabalhadores. Isso lá na longínqua década de 30 do século passado. Hoje, no ano de 2016, parece que pouca coisa mudou em relação à obsessão pelo lucro acima de qualquer coisa.

A obra Chaplin foi lembrada no painel "Banco do Futuro", que fez parte da programação desta tarde de sábado da 18a Conferência Estadual dos Bancários, em que se discutiu esta lógica no âmbito dos bancos privados. A painelista foi a pesquisadora Ana Tercia Sanches, especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo, que discorreu sobre o chamado Banco do Futuro e o impacto das novas tecnologias no emprego bancário. "Chaplin foi premonitório nesse filme, chegando a prever o controle e monitoramento dos patrões sobre os empregados que vemos em larga escala hoje, e que só tende a aumentar graças à tecnologia", disse ela.

A pesquisadora citou o impacto das novas ferramentas tecnológicas no emprego bancário: somente nos quatro primeiros meses deste ano foram fechados 4.553 postos de trabalho, segundo o Dieese. "Óbvio que o processo de terceirização e a queda da economia ajudam a explicar esses fechamentos, mas é muito preocupante o grau de desemprego tecnológico que vivenciamos”, observa.

O futuro é hoje

Ana Tercia ressaltou o impacto nas tarefas do bancário ocasionado pela presença de robôs em algumas agências. "As novas tecnologias têm possibilitado uma intensificação do trabalho. Apesar de ter ficado mais simples, disse ela, lembrando que uma carteira de clientes varia de 400 a 500 em agências físicas, mas o número de clientes virtuais a serem atendidos chega a 1200, todos ligando, pedindo informações".

Outra preocupação apontada pela pesquisadora é relacionada ao adoecimento da categoria, sobretudo por conta da imposição de metas e do constante monitoramento de tarefas excessivas. "Hoje é possível controlar planilhas de produção dos trabalhadores, monitorar quantos seguros foram vendidos no dia, e o que é pior, cobrar metas…usam como referência quem está no pico".

Ela finalizou a palestra afirmando, que os sindicatos precisam se apropriar desses "elementos e informações" para impor uma discussão de alto nível com os bancos, mesmo considerando a desigual relação de força banqueiros x bancários.

Fonte: Imprensa/Seeb Pelotas
 

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