Mesmo com pressão dos bancos, bancários fortalecem greve

O 15º dia de greve geral dos bancários, nesta terça-feira (20), foi também um dos mais difíceis para a categoria. Ao invés de chamarem o Comando Nacional dos Bancários de volta para a mesa de negociação e apresentarem uma proposta decente, os bancos investiram em práticas antissindicais para tentar enfraquecer a mobilização. Mas não adiantou! No total, 13.096 agências e 36 centros administrativos tiveram suas atividades paralisadas. Na base de atuação do Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e Região são 55 agências paralisadas. Somente em Caxias do Sul são 49 agências paralisadas, sendo seis com adesão parcial (Banrisul). Na região temos a Caixa Econômica Federal de Canela, Farroupilha , Gramado e São Marcos paradas; e o Banco do Brasil em Flores da Cunha e São Marcos.

Roberto von de Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional, salienta que o dia de hoje exigiu muita disposição de luta. “Os bancos usaram a velha tática de permanecerem em silêncio para que a angústia tome conta de nossa greve. Limparam novamente as agências para tornar a greve invisível, pressionaram de novo os trabalhadores para furar a greve, contrataram cartórios para fazer atas e fotografar os locais com vistas a interditos, estimularam parceiros deles para que buscassem liminares. Um brutal ataque aos nossos direitos pretendendo reduzir os salários das nossas famílias. E novamente os corajosos e indignados participantes desta greve de protesto resistiram”, afirma.
Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, o momento é de continuar resistindo. “Como diz o mote da Campanha Nacional deste ano, só a luta nos garante. Não há crise para o sistema financeiro. Somente no primeiro semestre deste ano, os cinco maiores bancos brasileiros tiveram lucro líquido de R$ 29,7 bilhões. Só com prestação de serviços e tarifas ganharam R$ 55 bilhões. No mesmo período, fecharam mais de 13.600 postos de trabalho e 422 agências. Não queremos apenas ganho real. Queremos mais empregos, saúde, segurança e condições de trabalho dignas”, destaca.

Principais reivindicações dos bancários:

– Reajuste salarial: reposição da inflação (9,62%) mais 5% de aumento real.
– PLR: 3 salários mais R$ 8.317,90.
– Piso: R$ 3.940,24 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).
– Vale alimentação no valor de R$ 880,00 ao mês (valor do salário mínimo).
– Vale refeição no valor de R$ 880,00 ao mês.
– 13ª cesta e auxílio-creche/babá no valor de R$880,00 ao mês.
– Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
– Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
– Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.
– Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
– Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
– Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).
Fonte: Fenae

Foto: Marlei Ferreira

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