Trabalhadores paralisam a cidade

Trabalhadores de todas as profissões se uniram hoje para manifestar sua insatisfação contra as reformas trabalhistas aprovadas esta semana por 297 deputados federais, entre eles o deputado de Caxias, Mauro Pereira.

Em Caxias do Sul a mobilização começou por volta das 4h da madrugada, com concentração de trabalhadores na sede do sindicato dos metalúrgicos. Dali se dirigiram para vários pontos da cidade. Houve bloqueio na BR 116, próximo às empresas Guerra e Agrale, com paralisação do tráfego nos dois sentidos da via. Metalúrgicos da Marcopolo vieram em caminhada desde o bairro Ana Rech Agrale (a 8 km da cidade)e se uniram aos colegas das empresas Randon, Guerra. Dalí  seguiram para a Praça Dante Aliguieri, onde um ato marcado para as 10h reuniu milhares de trabalhadores de todas as profissões.

Os ônibus não circularam nas primeiras horas da manhã. Um bloqueio de trabalhadores localizado na rua que dá acesso às garagens da Viação Santa Teresa (Visate) fez com que a empresa optasse em não deixar os ônibus circularem.  Até às 10h ainda não havia ônibus no centro da cidade.

As agências bancárias da área central da cidade e de vários bairros adjacentes permanecem fechadas ao longo desta sexta-feira em adesão à greve geral.

Ato na Praça Dante Aliguieri

Foi na praça central da cidade que a população pode se manifestar. O ato reuniu cerca de cinco mil pessoas, entre bancários, professores de escolas públicas e particulares, estudantes, trabalhadores, rurais, metalúrgicos, rodoviários, trabalhadores do setores alimentício, limpeza, comércio, Marcha Mundial das Mulheres, entidades representativas de pessoas com deficiência, entre muitos outros. Portando faixas de Fora Temer e contra as reformas trabalhista, previdenciária, a população bloqueou a Rua Sinimbu, em frente a Igreja Matriz da cidade para gritar palavras de ordem e ouvir as lideranças dos trabalhadores.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e Região, Nelso Bebber, lembrou a todos os prejuízos que a reforma trabalhista vai causar a todas as trabalhadoras e trabalhadores. Para ele, a reforma aprovada na Câmara vai aumentar o trabalho terceirizado e os acidentes de trabalho. “O Temer quer que trabalhemos 49 anos para termos direito a aposentadoria integral, mas com essa reforma trabalhista, milhares de brasileiros vão trabalhar até morrer e não conseguirão se aposentar”, acredita Bebber.

O metalúrgico e deputado Assis Melo, que se viu excluído da votação da reforma trabalhista numa manobra do golpista michel temer esteve presente no ato. Para ele, o que  está em riso não é somente os direitos dos trabalhadores, mas a democracia no Brasil. “Precisamos lutar pelos direitos sociais e políticos dos brasileiros . Não será somente esta geração de trabalhadores que lutará por seus direitos. A juventude está aí, também lutando por eles. Precisamos gritar para o golpista do Temer ouvir: tire suas mãos sujas de corrupção dos nossos direitos!”

O deputado Pepe Vargas, titular da Comissão Especial da Reforma Previdenciária mostrou alegria em ver uma diversidade de pessoas lutando por seus direitos neste dia 28 de abril. “Agricultores, trabalhadores da indústria, do comércio, dos bancos, de empresas públicas como o correio, de empresas estaduais que o Sartori quer vender, a juventude, os servidores públicos, professores, todos aqui executando seu legítimo direito de manifestação contra as reformas trabalhistas, da previdência e a terceirização.”

Pepe alerta que não há rombo na previdência. “O que existe é a necessidade de se ajustar os gastos públicos à famigerada Emenda Constitucional 95, que congela os gastos primários, como educação, saúde e investimentos em infraestrutura, por 20 anos. Mas os gastos com pagamentos ao mercado financeiro não foram congelados”. E faz um novo alerta: “A reforma da previdência vem para abrir espaço aos planos privados, cujos donos são os bancos. Quem tem condições terá um plano de aposentadoria privada, enquanto a maioria dos trabalhadores seguirá sem direito justo à sua aposentadoria. O Golpe é justamente para retirar os direitos dos trabalhadores.

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