No BB, mulheres precisam escolher entre promoção e licença maternidade de seis meses

O Banco do Brasil informou através da sua intranet, na quinta-feira (25), que "cerca de 40% das nomeações em ascensão contemplam mulheres nos últimos meses”. Entretanto, para que essas nomeações ocorram, algumas funcionárias precisam escolher entre os 6 meses de licença maternidade e o "benefício” da promoção. Ou seja, são obrigadas a optar entre ficar com seus bebês por mais dois meses ou ascender na carreira.

Diretores da Fetrafi-RS e do SindBancários estiveram reunidos na manhã da sexta-feira, 26, com representantes da GEPES/BB, a fim de saber se há opção para uma funcionária promovida tomar posse após a finalização do período integral da licença. Os gestores do Banco disseram que: "isso não existe, precisamos de alguém para tomar posse imediata”, "o banco precisa de resultados”, fazendo referência a um caso específico denunciado ao movimento sindical.

Na avaliação dos sindicalistas, com o atual período de reestruturações e redução de cargos, essa proposta é indecente. "Fazer uma mulher escolher entre sua carreira e a certeza de manutenção/ampliação de sua renda mensal ou mais dois meses com seu filho é vergonhoso”, afirma o representante gaúcho na Comissão de Empresa do BB, Julio Vivian.

"Temos uma colega no Interior do Rio Grande do Sul que aguardou o período da licença para se preocupar com a reestruturação. Ela foi descomissionada no retorno ao trabalho, seu VCP está terminando na próxima semana e até agora, quatro meses depois, não apareceu vaga de assistente para que a mesma se recoloque”, observa a diretora da Fetrafi-RS, Cristiana Garbinatto.

Muitas mulheres já denunciaram ao movimento sindical que em suas entrevistas em processos seletivos foram questionadas sobre a possibilidade de ficarem grávidas. Algumas gestantes informaram que seus gestores perguntaram "se elas tinham certeza sobre optar pelos 6 meses de licença”, outras afirmam que sofreram pressão para não utilizar o horário de amamentação.

"Não são casos isolados. Isso vem de uma cultura organizacional que assedia, que pune e descrimina as mulheres mães. Como ouvimos muito "o Banco do Brasil do marketing não existe”, igualdade de gênero só existe na propaganda”, argumenta a dirigente da Federação.

"Cabe salientar que denunciamos à Gestão de Pessoas, que a falta da opção para que funcionárias promovidas tomem posse depois de todo os os seus seis meses de licença é entendida como corriqueira e exige uma solução definitiva do Banco. O assunto também já foi pautado no âmbito da Comissão de Empresa do BB”, afirma Julio Vivian.

Fonte: Comunicação/Fetrafi-RS
Imagem: Divulgação

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