Brasil enfrenta o maior nível de desemprego desde 2012

A taxa média anual de desemprego no Brasil subiu de 11,5% para 12,7% entre 2016 e 2017. É a maior da série histórica da pesquisa iniciada em 2012 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) foram divulgados na quarta-feira 31.

A média de desempregados pulou de 6,7 milhões para 13,2 milhões, aumento de 97% entre 2014, quando a taxa de desocupação atingiu o menor patamar (6,8%), e 2017.

No mesmo período, que coincide com a ruptura democrática no país, foram perdidos 3,3 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, sendo um milhão a menos somente de 2016 para 2017, depois que o governo ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP) assumiu o poder ao dar um golpe de Estado.

Segundo o instituto, as atividades que mais perderam empregos nestes três anos foram agricultura (-10,4%), indústria (-11,5%) e construção (-12,3%). "Parte desses postos foi compensada em grupamentos que têm um processo de inserção mais voltado para a informalidade, como comércio, outros serviços e alojamento e alimentação", analisa o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Exploração

A pesquisa reforça o que se vê nas ruas: o número de trabalhadores informais, ou por conta própria, aumentou em 1,1 milhão de pessoas (4,8%) em 2017, em comparação ao mesmo período de 2016.

Os números do IBGE confirmam o que a CUT denuncia desde que Temer assumiu o poder sem voto, diz o presidente da Central, Vagner Freitas. “Os golpistas não têm projeto econômico nem político para o Brasil. Deram um golpe para acabar com o emprego com carteira assinada e destruir os direitos sociais e trabalhistas, atingindo em especial a população mais pobre, que depende das políticas públicas do Estado para sobreviver com o mínimo de dignidade”, diz Vagner.

 O presidente da CUT disse ainda que, ao contrário do que venderam para a população, a reforma trabalhista não cria empregos. “Pelo contrário, leva ao aumento da informalidade, do bico, das condições precárias de trabalho. O que é desastroso para a economia e para a renda e a qualidade de vida das famílias brasileiras.”

A técnica do Dieese, Adriana Marcolino, reforça a análise do presidente da CUT, ressaltando que esse período de crise econômica, que já dura três anos, e o aumento do desemprego resultaram no achatamento dos salários dos trabalhadores e das trabalhadoras. “Em janeiro de 2015, o salário dos admitidos equivalia a 95% do salário dos demitidos. Em dezembro de 2017, essa relação caiu para 87%”, explica Adriana.

“Esse cenário é o que concretamente os trabalhadores e as famílias sentem e que está refletido nas falas da população, quando lamentam que a condição de vida piorou com a crise e de que não houve melhora significativa em 2017.”  

Segundo o presidente da CUT, faltam políticas públicas direcionadas para a criação de empregos decentes, além de uma retomada consistente da economia, com uma política econômica sólida e um projeto de desenvolvimento sustentável. 

Fonte: Fonte: Tatiana Melim/CUT e Rede Brasil Atual, com edição da Redação Spbancarios 

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