Fechamento de 200 agências do Bradesco mostra a impressão digital do dedo do banqueiro no golpe nos direitos

Reportagem do Sindbancários de Porto Alegre e Região analisa política adotada pelo banco privado.

 

Quando o Sindicato avisa, repete, explica que a reforma trabalhista e todo esse golpismo do governo Temer tem o dedo de banqueiro, muitas vezes, os bancários até duvidam. Mas os fatos confirmam isso a cada dia. Depois de conseguir maioria no Congresso Nacional para aprovar a Reforma da Previdência, os banqueiros agora passaram de fase. Eles estão enxugando seus quadros, demitindo até colegas doentes e vendo se a Justiça do Trabalho irá aplicar mesmo o que determina a Lei 13.467/17, aquela que legalizou a reforma trabalhista do Temer. O Bradesco já fez demissões, fechou agências após adquirir as operações do HSBC e agora anuncia o fechamento de 200 agências em todo o país.

A confirmação do ingresso nessa etapa veio com o anúncio feito pelo novo presidente-executivo do segundo maior banco privado do país, Octavio Lazari. A grande imprensa amenizou o tom da notícia, dizendo que o Bradesco "estuda” o fechamento de agências. Mas, nós bancários, sabemos que estudar é fechar mesmo. A Caixa já estudou, assim como o Banco do Brasil, o Itaú. E todos já ou fizeram PDVs ou demitiram e fecharam agências. No caso dos bancos públicos, teve processo de reestruturação para enxugar a estrutura e entregar o patrimônio.

O presidente do SindBancários e funcionário do Bradesco, Everton Gimenis, tem dito aos colegas bancários de sua base que o pior do golpe para os trabalhadores ainda não começou. "A Reforma Trabalhista foi muito bem arquitetada. Ela é o sonho de legislação trabalhista dos banqueiros. Muda a jornada de trabalho e praticamente proíbe ingresso na Justiça. Porque o trabalhador, se perder a ação tem que pagar advogado de patrão. A fase agora é de saber o que a Justiça do Trabalho vai aplicar na prática. Isso que o Bradesco faz agora é um teste. Se a gente não se unir e não lutar, vai piorar”, reafirma Gimenis.

O Bradesco tem 4.750 pontos de atendimento em sua rede. O fechamento de 3200 agências representa pouco mais de 4% do volume total. Após a aquisição de 800 agências brasileiras do HSBC Brasil em 2016, por US$ 5,2 bilhões, o Bradesco fechou por volta de 565 agências no ano passado. Depois de conseguir grandes economias de custos com a aquisição, o Bradesco está agora focado em ampliar receita, disse Lazari, que assumiu o comando do banco na segunda-feira.

"Grande parte do aumento das receitas virá do maior número de produtos vendidos por cliente”, disse o executivo à Reuters em entrevista na sede do Bradesco, em Osasco (SP). O Bradesco quer elevar o número médio de produtos vendidos de 1,6 atualmente para 2 por cliente até o final deste ano, disse Lazari. Ele acrescentou que o banco tem usado ferramentas de análise de dados para identificar quais produtos devem ser oferecidos a cada um de seus 30 milhões de clientes.

Lazari, 54 anos, foi indicado para a presidência-executiva do Bradesco em fevereiro, em substituição a Luiz Carlos Trabuco Cappi, que passou a presidente do conselho de administração da instituição. As nomeações marcam uma mudança de geração para o Bradesco. O ex-presidente do conselho, Lázaro Brandão, de 91 anos, deixou o posto em outubro.

O novo presidente afirmou que o Bradesco está concentrado em expandir serviços digitais não apenas por meio do banco online Next, lançado no final de outubro e com apelo entre clientes mais jovens, mas também trabalhando conjuntamente com startups de tecnologia financeira, as fintechs.

O novo presidente do Bradesco afirmou que o Next tem atualmente cerca de 80 mil clientes. Lazari comentou que o orçamento do Bradesco em 2018 prevê um retorno sobre patrimônio estável com a performance de cerca de 18% do ano passado, que ficou abaixo do nível alcançado pelo Itaú Unibanco. "Apostamos num Brasil que ia dar certo, mas que infelizmente não deu ainda”, disse o executivo. "Mas não perdemos a crença de que ainda vai dar certo.”

Lazari afirmou que o setor bancário precisa "apreender a conviver com juros baixos” e acrescentou que "não espera que os juros voltem a níveis elevados”. O novo presidente do Bradesco também disse que a holding Bradespar não tem intenção de vender sua participação na mineradora Vale no curto prazo.

 

Fonte: Imprensa SindBancários, com informações do site G1

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