Lideranças dos bancários da região Sul discutem, em Caxias do Sul, o futuro da atividade sindical

Mais de 100 lideranças sindicais dos bancários do Rio Grande Do Sul, Santa Catarina e Paraná estão reunidas, desde o início da manhã desta quarta-feira, 20, no auditório do Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e Região, para discutirem o futuro do sindicalismo e traçar estratégias para a defesa da categoria bancária. Encontro Regional de Bancários da Região Sul/Contec segue até amanhã com palestras e debates.

Na abertura do encontro, os sindicalistas foram recepcionados pelo diretor do sindicato caxiense, Pedro Incerti, que fez um relato histórico das lutas dos bancários e destacou o lucro abusivo dos bancos atualmente. “Sou do tempo que o banco comemorava o lucro de R$ 1 milhão”, relembra. “Hoje os bancos lucram bilhões e não estão satisfeitos”, observa.

O diretor executivo da Fetrafi –RS, Juberlei Baes Barcelos, apontou a nova estratégia de esvaziamento dos sindicatos por parte dos bancos, os Planos de Desligamentos Voluntários,  e a nova reforma sindical que está sendo discutida no Congresso Nacional, que poderá tirar a estabilidade das lideranças. “Quem vai sobrar disso tudo?” questiona.

O presidente da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Santa Catarina, Julcemar Jorge Patrício, destacou o importante papel que os sindicatos e representantes da classe bancária na conquista dos muitos benefícios que a categoria recebe: “Não dá pra deixar as pessoas acreditarem que recebem tudo dos bancos porque os banqueiros são bonzinhos. Tudo é fruto de muita luta”.

Já o presidente da Federação paranaense, Gladir Antonio Basso, trouxe a mais nova ameaça aos bancários, a Medida Provisória 905, que permite o trabalho bancário aos sábados e amplia a jornada de 6 para 8 horas. “Se o negociado prevalece sobre o legislado, então não podem adotar as resoluções desta MP”, ponderou o sindicalista.

O presidente da Federação dos Bancários de Minas Gerais, Alfredo Brandão, foi mais contundente e destacou que as lutas devem começar e serem realizadas na base, sem delegar responsabilidades a um pequeno grupo de representantes de centrais ou confederações. “A um tempo atrás nós fazíamos os bancos correrem atrás de nós para negociar; hoje eles nos fazem ir atrás deles, gastando uma fortuna em passagens aéreas e hotel. Precisamos inverter essa lógica atual”, enfatiza o líder sindical.

Por uma nova estrutura sindical

Com o tema “Por uma nova estrutura sindical” o encontro teve, ao longo da manhã, palestra com o Advogado Trabalhista e Assessor Jurídico da Fetrafi-RS, Milton Fagundes. Também ocorreu a participação do Sociólogo e diretor técnico do Dieese, Clemente Gans Lúcio, que traçou algumas perspectivas para as estruturas sindicais a partir nova conjuntura que se aponta para os sindicatos.

À tarde, a partir das 14h o encontro continua com a participação do Diretor de Políticas de Relações Trabalhistas e Sindicais da Febraban e Advogado Especialista em Relações do Trabalho, Adauto Duarte. Das 15h30min até ás 19h teremos as manifestações dos presidentes de federações e da plenária regional.

Na quinta-feira, 21, os trabalhos reiniciam às 9h30min, com palestra do advogado previdenciário Anderson Tomasi Ribeiro, coordenador da Comissão de Seguridade Social da OAB/Caxias do Sul, Consultor Jurídico da Comissão Estadual da OAB/RS, Diretor da Comissão de Atuação Judicial do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).

Crédito fotos: Marlei Ferreira/Seeb Caxias do Sul e Região

 

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