Região de Caxias do Sul registra piora e está na bandeira vermelha e com restrições mais rígidas

Região de Caxias do Sul registra piora e está na bandeira vermelha e com restrições mais rígidas

O Estado do Rio Grande do Sul registrou quatro situações de bandeira vermelha nos cálculos do modelo de Distanciamento Controlado. As regiões de Caxias do Sul, Santo Ângelo, Santa Maria e Uruguaiana passaram de bandeira laranja para vermelha nesta sexta rodada do modelo, divulgada neste sábado (13/6) e que entra em vigor na próxima segunda-feira (15/6), com vigência no mínimo nas duas próximas semanas. Nas demais regiões que permaneceram na classificação amarela ou laranja, a validade vai até 21 de junho.

“Os indicadores dessas regiões apuram que há aumento de contágio e menor disponibilidade hospitalar de atendimento. Não é motivo para pânico, mas é um alerta de que precisamos reduzir essa velocidade de contágio para evitar que, lá na frente, haja um colapso do sistema hospitalar. É assim que conseguiremos proteger a todos no nosso Estado. Reforço meu apelo a todos aqueles que estão nessas regiões para que atendam às diretrizes dos protocolos, e a todos que puderem, que fiquem em casa”, declarou o governador Eduardo Leite.

As mudanças decorrem de dois fatores: a contínua piora dos indicadores de propagação e de capacidade do sistema de saúde e a revisão dos indicadores e dos pontos de corte realizada pelo Estado, que tornou o modelo mais sensível à evolução da doença e ampliou as restrições às situações mais críticas da pandemia.

Além disso, a região de Bagé passou de bandeira amarela para laranja, e a região de Santa Cruz do Sul obteve melhora nos indicadores, indo de bandeira laranja para amarela. As demais regiões não tiveram alteração na classificação final, sendo que as regiões de Taquara, Pelotas e Cachoeira do Sul permanecem em bandeira amarela.

Mesmo com os alertas feitos desde semana passada, o Estado continuou apresentando piora nos indicadores em relação à pandemia. O número de novos registros de hospitalizações por Covid-19 nos últimos sete dias, comparado à semana anterior, apresentou aumento de 32,8%, passando de 241 para 320. O mesmo se observa com o número de internados por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em UTIs, que subiu de 280 para 365 internações – crescimento de 30,4%.

Caxias do Sul

Na região de Caxias do Sul, os registros de hospitalizações confirmadas para Covid-19 cresceram 173,9% entre as duas semanas, passando de 23 para 63 hospitalizações. Mesmo sem considerar a alteração na faixa de corte, a região teria obtido a bandeira preta nesse indicador.

Esse elevado crescimento aponta para um alerta ainda maior na região, pois se trata da velocidade do avanço da pandemia, com efeitos que podem permanecer por mais semanas.

Com relação ao número de pacientes Covid-19 em leitos de UTI, a bandeira do indicador passou de laranja para preta. Essa elevação se deve tanto à redução na faixa de corte do indicador quanto ao aumento de 31 para 44 internados entre as duas últimas sextas-feiras.

Os indicadores de incidência de novos casos sobre a população – “hospitalizações confirmadas para Covid-19 em relação à população” e “Projeção de óbitos em relação à população” apresentaram significativa piora.

Assim, considerando as mudanças nos indicadores e o elevado crescimento, ambos variaram de bandeira laranja para preta.

Por fim, o indicador de leitos de UTI livres dividido pelos leitos de UTI ocupados por pacientes Covid-19, mensurado para a macrorregião, foi o pior apresentado no Estado como um todo, sendo a macrorregião da Serra a única a apresentar bandeira preta nesse indicador (na sexta-feira, 12/6, havia 0,75 leito de UTI adulto livre para cada leito de UTI adulto ocupado por Covid na região). Como esse indicador reflete a capacidade de atendimento, o alerta é bastante expressivo, apontando para uma possível necessidade de transferência de pacientes para outras macrorregiões do Estado.

Santa Maria e Uruguaiana

O indicador de variação de internados por SRAG em UTI, mensurados pela macrorregião Centro-Oeste, passou de bandeira amarela para preta entre as duas semanas – efeito do aumento absoluto de internações e da redução na faixa de corte do indicador.

A região de Santa Maria e a de Uruguaiana tiveram um aumento expressivo durante a semana, passando de 14 para 25 e de quatro para oito, respectivamente.

Em Uruguaiana, o indicador de hospitalizações confirmadas para Covid-19, registradas nos últimos sete dias, também apresentou bandeira preta, com crescimento de oito internações entre as duas semanas – de seis para 14.

Na macrorregião como um todo, apesar de o indicador de internados confirmados para Covid-19 em leitos clínicos não ter apresentado crescimento tão expressivo (de 26 para 30), os de internados pela doença (casos confirmados) em UTI subiu significativamente (de 13 para 24).

Na sexta-feira anterior (5/6), a região de Santa Maria tinha nove internações e, na última sexta-feira (12/6), apresentava 18 – aumento de nove internações em uma semana.

Em Uruguaiana, as internações passaram de quatro para seis. Devido a esse crescimento e, também pelas alterações nos pontos de corte, o referido indicador ficou em bandeira preta, com um alerta importante para as duas regiões.

Os indicadores de estágio da evolução na região e de incidência de novos casos sobre a população também tiveram pioras nas suas bandeiras nas duas regiões – ambos com bandeira vermelha para Santa Maria e com bandeiras preta e vermelha, respectivamente, para Uruguaiana.

O indicador de projeção de número de óbitos para o período de uma semana para cada 100 mil habitantes, que substituiu o de número de óbitos nos últimos sete dias para cada 100 mil habitantes, apresentou bandeira preta nas duas regiões.

Apesar de que os indicadores de capacidade de atendimento e de mudança de capacidade de atendimento tenham se mantido entre bandeiras amarela e laranja, foram os efeitos observados de propagação do vírus e de doenças por SRAG que exerceram esse elevado alerta nas duas regiões.

Com a alteração para bandeira final vermelha, espera-se que a propagação do vírus inicie um processo de redução. Ao mesmo tempo, pode ser esperado um aumento na utilização da capacidade hospitalar no curto prazo, tendo em vista o tempo necessário entre a ação de restrição e a diminuição de crescimento nas hospitalizações.

Santo Ângelo

A região de Santo Ângelo apresentou piora em todos os indicadores que mensuram a Propagação da Doença. Dos quatro indicadores de Velocidade do Avanço, dois obtiveram bandeira preta. Para os de Estágio da Evolução e de Incidência de Novos Casos sobre a População, todos apresentaram bandeira preta. A partir disso, a região obteve a bandeira final vermelha, atingindo risco alto na região.

O número de pacientes confirmados para Covid-19 em leitos clínicos na sexta (12/6), na macrorregião, comparado à semana anterior, saltou de sete para 14 internados, um aumento de 100% entre as duas sextas-feiras. Com relação aos internados por SRAG em UTI, também para a macrorregião, o quantitativo passou de 12 para 17 internados.

O indicador de novos registros de hospitalizações confirmadas para Covid-19 nos últimos sete dias, mensurada para a região de Santo Ângelo conforme o local de residência e comparada com a semana anterior, também alcançou bandeira preta. O crescimento expressivo de 275%, passando de quatro para 15 hospitalizações, provoca um alerta de risco no avanço da doença.

Apesar da elevada propagação da doença, que aponta para um possível aumento futuro na utilização do sistema de saúde, os indicadores de capacidade do atendimento e da mudança na capacidade de atendimento da macrorregião Missioneira, onde está localizada a região de Santo Ângelo, foram avaliados com bandeira amarela, visto que ocorreu uma redução de internados em UTI, entre as duas sextas-feiras, que não sejam por Covid-19 ou SRAG.

O PLANO CONTRA O CORONAVÍRUS

O Modelo de Distanciamento Controlado do Rio Grande do Sul foi construído com base em critérios de saúde e de atividade econômica. Criou-se um sistema de bandeiras, com protocolos obrigatórios e critérios específicos a serem seguidos pelos diferentes setores econômicos. Conforme o grau de risco em saúde, cada região recebe uma bandeira nas cores amarela, laranja, vermelha ou preta. O monitoramento é semanal, e a divulgação das bandeiras ocorre aos sábados, com validade a partir da segunda-feira seguinte.

O Rio Grande do Sul foi dividido em 20 regiões, que são analisadas considerando a velocidade de propagação da Covid-19 e a capacidade de atendimento do sistema de saúde. A região na qual está inserida a Serra é composta por 49 municípios. No total, 11 indicadores (como número de novos casos, óbitos e leitos de UTI disponíveis, dentre outros) determinam a classificação das bandeiras da região.

A BANDEIRA VERMELHA

O risco é considerado alto e a região está em um de dois cenários: média propagação do vírus e baixa capacidade do sistema de saúde; ou média/alta capacidade do sistema de saúde, porém alta propagação do vírus. Confira as regras:

Administração Pública
:: Serviços não essenciais podem atuar com 25% de  trabalhadores
:: Serviços de habilitação de condutores podem atuar com 50% de trabalhadores

Agropecuária
:: Agricultura, pecuária e relacionados com 50% de trabalhadores
:: Pesca e aqüicultura com 25% de trabalhadores

Alimentação
:: Restaurantes self-service não podem abrir
:: Restaurantes a la carte, prato feito e buffet sem autosserviço só podem atender clientes em sistema de telentrega, drive-thru e pegue e leve. A operação deve acontecer com 50% de trabalhadores.
:: Lanchonetes e padarias só podem atender clientes em sistema de telentrega, drive-thru e pegue e leve. A operação deve acontecer com 50% de trabalhadores.

Alojamento
:: Hotéis e similares com 40% dos quartos
:: Hotéis e similares (beira de estradas e rodovias) com 75% dos quartos

Comércio que não pode abrir:
:: Varejista de itens não essenciais

Comércio que pode abrir com 25% dos trabalhadores:
:: Comércio de Veículo, apenas teleatendimento
:: Manutenção e Reparação de Veículos, teleatendimento e presencial restrito
:: Atacadista não essencial, apenas por telentrega, pegue e leve e drive-thru
:: Centro comercial e shopping, mas apenas lojas de alimentação, higiene e itens essenciais. Recomendada a medição de temperatura

Comércio que pode abrir com 50% dos trabalhadores:
:: 
Comércio Varejista de Produtos Alimentícios
:: Comércio Atacadista de Itens Essenciais
:: Comércio Varejista de Itens Essenciais
:: Postos de gasolina, mas é vedada aglomeração

Educação
::
 Todas as modalidades de ensino devem ser remotas, o que inclui aulas particulares de idiomas, de música, de esportes, de dança e artes cênicas, de arte e cultura.

:: São autorizadas apenas as atividades práticas essenciais para conclusão de curso: pesquisa, estágio curricular obrigatório, laboratórios e plantão dos ensinos Médio e Superior. Devem operar com 25% dos trabalhadores e monitoramento de temperatura.

Indústria que pode abrir com 75% dos trabalhadores
:: Construção de Edifícios
:: Obras de Infraestrutura
:: Serviços de Construção
:: Extração de Carvão Mineral
:: Extração de Petróleo e Gás, com monitoramento de temperatura
:: Alimentos e Bebidas
:: Farmoquímicos e Farmacêuticos, com monitoramento de temperatura

Indústria que pode abrir com 50% dos trabalhadores
:: Fumo
:: Têxteis
:: Vestuário
:: Couros e calçados
:: Madeira
:: Papel e celulose
:: Impressão e Reprodução
:: Derivados do petróleo
:: Químicos
:: Borracha e Plástico
:: Minerais não metálicos
:: Metalurgia
:: Produtos de Metal
:: Equipamentos Informática
:: Materiais Elétricos
:: Máquinas e Equipamentos
: Veículos Automotores
:: Móveis
:: Produtos Diversos
:: Manutenção e Reparação

Serviços que não podem abrir
:: Casas noturnas, bares e pubs
:: Academia
:: Clubes sociais, esportivos e similares
:: Serviços de higiene pessoal (cabelereiro e barbeiro)
:: Missas e serviços religiosos
:: Serviços Domésticos
:: Parques Temáticos e similares
:: Teatros, cinemas e casas de espetáculos
:: Museus, bibiliotecas, arquivos, acervos e similares
:: Ateliês
:: MTG e similares
:: Eventos em ambiente fechado ou aberto
:: Agência de turismo, passeios e excursões

Serviços que podem abrir com 100% dos trabalhadores
:: Funerária
:: Pesquisa científica e laboratórios (pandemia)

Serviços que podem abrir com 50% dos trabalhadores
:: Bancos, lotéricas e similares
:: Assistência Veterinária
:: Parques e reservas naturais, jardins botânicos e zoológicos = Sem atendimento ao público
:: Advocacia
:: Call-center

Serviços que podem abrir com 25% dos trabalhadores
:: 
Imobiliárias e similares, apenas por teleatendimento
:: Reparação e manutenção de objetos e equipamentos
:: Lavanderias e similares
:: Serviços de contabilidade, auditoria, consultoria, engenharia, arquitetura e publicidade, apenas por teleatendimento

Transporte que pode operar com 100% dos trabalhadores
:: 
Transporte rodoviário de carga
:: Estacionamentos

Transporte que pode operar com 50% dos assentos (janela)
:: Coletivo de passageiro municipal e metropolitano do tipo comum
:: Rodoviário fretado de passageiros
:: Rodoviário de passageiros municipal do tipo comum
:: Rodoviário de passageiros intermunicipal do tipo comum
:: Rodoviário de passageiros metropolitano ou intermunicipal do tipo semidireto, direto, executivo ou seletivo, com monitoramento de temperatura
:: Rodoviário de passageiros interestadual. com monitoramento de temperatura

Transporte que pode operar com 50% dos trabalhadores
:: Correios

Transporte que pode operar com 25% dos trabalhadores
:: Aeroclubes e aeródromos

Todas as regiões, seja qual for a bandeira na qual está classificada, devem seguir todos os protocolos de prevenção, que incluem uso de máscara, distanciamento entre as pessoas, higienização dos ambientes e das mãos, uso de equipamento de proteção individual (EPI), afastamento de casos positivos ou suspeitos, teto de ocupação e atendimento diferenciado para grupos de risco.

 

PRINCIPAIS DADOS DA SEXTA RODADA

  • O número de novos registros de hospitalizações SRAG de confirmados com Covid-19 aumentou 32,8% entre as duas últimas semanas (de 241 para 320);
  • O número de internados em UTI por SRAG aumentou 30,4% entre as duas últimas sextas-feiras (de 280 para 365);
  • O número de internados em leitos clínicos com Covid-19 aumentou 13,8% entre as duas últimas sextas-feiras (de 224 para 255);
  • O número de internados em leitos de UTI com Covid-19 aumentou 35,7% entre as duas últimas sextas-feiras (de 171 para 232);
  • O número de leitos de UTI adulto livres para atender Covid-19 aumentou 8,3% entre as duas últimas sextas-feiras (de 542 para 587);
  • O número de óbitos por Covid-19 reduziu 10,7% entre as duas últimas semanas (de 56 para 50);
  • As regiões com maior número de novos registros de hospitalizações nos últimos sete dias, por local de residência do paciente, são Porto Alegre (89), Caxias do Sul (63), Passo Fundo (26), Novo Hamburgo (24) e Santa Maria (21).

 

Clique aqui e acesse o estudo completo da sexta rodada do Distanciamento Controlado.

Fonte: Governo do RS, com edição Comunicação Bancax

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 × quatro =