Sindicatos entram com ação na Justiça para impedir convocações no Banco do Brasil

Gestores estão autorizados pelo Banco a convocarem funcionários que coabitam com pessoas do grupo de risco para COVID-19

O Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e demais sindicatos gaúchos representado pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS)entraram uma ação na Justiça do Trabalho para buscar suspender a exigência de retorno dos funcionários do Banco do Brasil que coabitam com pessoas do grupo de risco para COVID-19 ao trabalho presencial. O Banco havia emitido comunicado na semana passada autorizando os gestores a convocarem os funcionários nessa condição ao trabalho nas agências.
“Esta ação tem como objetivo uma Tutela de Urgência, em que o juiz – neste caso a Juíza da 19ª vara – diga se é legal ou não a chamada para retorno ao trabalho presencial, tendo em vista que as condições sanitárias não melhoraram em relação a março quando a medida de preservação da saúde foi adotada”, explica o assessor jurídico da Fetrafi-RS, Milton Fagundes. “Pelo contrário, hoje não é só uma estatística de quase 90 mil pessoas mortas. Agora, aqui no Estado, as pessoas que faleceram muitas têm nome e sobrenome e são próximas de todos nós”, completa.

O Coordenador da Secretaria Secretaria de Jurídico e Relações do Trabalho do Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e Região, Vilmar José Castagna, lembra que houve uma reunião da entidade com a superintendência do banco na região, quando foram comunicados que iriam cumprir a determinação do banco de chamar os funcionários do BB de volta às agências. “O sindicato não concordou com a medida do BB e entrou com ação judicial, através da Fetrafi-RS, para barrar a medida”, destaca o sindicalista.

O fundamento do pedido é o cumprimento protocolo editado pelo BB no mês de março, no qual o Banco orientava o afastamento dos funcionários que coabitam com pessoas do grupo de risco para a COVID-19, como idosos e portadores de doenças crônicas. O retorno deveria acontecer somente após o término do estado de emergência, que tem se agravado, com UTIs lotadas em diversos municípios do Estado.

A diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banco do Brasil Cristiana Garbinatto destaca que a ação tem efeito em todo o estado e orienta que ninguém retorne ao trabalho sem uma solicitação por escrito. “Os colegas que coabitam com pessoas do grupo de risco assinaram um documento na solicitação para trabalharem remotamente. Não podemos aceitar que o banco exija que os funcionários descumpram isso sem nenhum comunicado formal”, afirma.

Cristiana também alerta que o banco se eximiu da responsabilidade pelas consequências sobre o aumento do número de pessoas nas ruas durante a pandemia, colocando no colo dos gestores a decisão de convocar ou não os funcionários. “Já que a decisão está nas mãos dos gestores, o risco também estará”, ressalta a diretora da Fetrafi-RS.

A representante da Fetrafi-RS na Comisão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil e diretora do SindBancários, Bianca Garbelini, reforça a irresponsabilidade do BB e a resposta do movimento sindical. “O que o BB está fazendo é colocar funcionários e familiares em risco, e jogar a responsabilidade sobre isso nos gestores. É absurdo e estamos fazendo todo o possível pra evitar esse retorno”, conclui.

Fonte: Fetrafi-RS com edição da Seeb Caxias do Sul e Região

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