Acordo assinado: CCT renovada por dois anos, com reajustes e abono

Acordo assinado: CCT renovada por dois anos, com reajustes e abono

Bancários saem de uma campanha salarial atípica, realizada em meio a uma pandemia, sem perda de nenhum direito previsto em sua convenção, com reajustes e abono este ano, e aumento real em 2021. Campanha dos bancários injetará cerca de R$ 8 bi na economia em 12 meses

 

Foi assinada nesta sexta-feira (4) a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária em todo o país. A assinatura foi possível após aprovação em assembleias de bancári@s em sindicatos de todo o país do acordo entre o Comando Nacional d@s Bancári@s e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Também foram assinados hoje Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) com o Banco do Brasil e com a Caixa Econômica Federal.

O acordo tem validade de dois anos e prevê a manutenção de todos os direitos clausulados na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Prevê também, para este ano, reajuste de 1,5% sobre salários + abono de R$ 2 mil para todos os bancários – o que garante, em 12 meses, valores acima do que o obtido apenas com a aplicação do INPC para salários até R$ 11.202,80, o que representa 79,1% do total de bancários; e ainda reposição da inflação (INPC estimado em 2,74%) para demais verbas como VA e VR, e valores fixos e tetos da PLR. E para 2021: aumento real de 0,5% sobre salários e demais verbas (para ver o resumo do acordo, clique aqui).

Os reajustes dos bancários este ano nos salários, nos tíquetes refeição e alimentação, com a PLR e o abono representarão R$ 8,1 bilhões injetados na economia em 12 meses, segundo cálculo do Dieese. “Reajustes salariais, ao contrário do que defende o ministro da economia Paulo Guedes, não levam ao desemprego. Pelo contrário, aquecem a economia”, defende a presidenta do Sindicato, Ivone Silva, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, que representa a categoria na mesa com a Fenaban.

Unidade e trabalho

Esse acordo é resultado de muito trabalho, muita negociação feita pelo Comando Nacional, que é muito plural e tem muita unidade. Representamos em torno de 90% da categoria. Tivemos assembleias virtuais de fechamento com um público recorde votando. Foi com uma representatividade muito grande, com mais de 110 mil bancários que participaram dessas assembleias. Isso é muito importante”, falou no evento de assinatura a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramos Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional d@s Bancári@s.

Presente à cerimônia de assinatura, o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sergio Nobre, destacou a importância do acordo. “Vivemos uma crise inédita em nosso país e construir um acordo que preserva os salários por dois anos é muito importante. O acordo é simbólico porque mostra um caminho para as demais categorias. Ressalto que na maioria das categorias ainda se luta pelo direito de se sentar à mesa de negociação para discutir as demandas”, disse Sergio Nobre.

Campanha virtual

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, também coordenadora do Comando, a organização de uma campanha virtual na categoria foi importante. “Foram 15 rodadas de negociação, as últimas exaustivas, com impasses que estenderam a mesa até a madrugada ou mesmo até a manhã do dia seguinte. No início os bancos queriam cortar direitos: apresentaram três propostas de PLR que reduziam os valores distribuídos aos bancários em até 48%; queriam cortar a 13ª cesta alimentação e diminuir a gratificação de função de 55% para 50%. Nós conseguimos reverter essas propostas rebaixadas com muita criatividade: com tuitaços e manifestações nas demais redes sociais, e com carreatas. Formas encontradas de mobilização que mantinham a necessidade de isolamento social, ao mesmo tempo em que davam um claro recado aos banqueiros: que não aceitaríamos retirada de direitos. A Campanha Nacional Unificada de 2020 entra para a história como uma das mais difíceis em função da conjuntura política e econômica totalmente desfavorável. Bancários e bancárias estão mais uma vez de parabéns!”, conclui a dirigente.

A realização de uma campanha virtual, em meio à pandemia, também foi destacada pelo presidente da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul, Jeferson Rubens Boava. “Superamos um grande desafio, que foi fazer a renegociação virtual, que nos permitiu fazer muitas reuniões. Entregamos ao bancário aquilo que ele esperava: um acordo de dois anos que dá garantia da remuneração e mantendo a Convenção Coletiva de Trabalho” falou.

Mesmo à distância, mas acompanhando o evento por videoconferência, o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e de Sergipe, Hermelino Neto, falou sobre a importância política da campanha. “Queremos reajuste sim, melhores condições de trabalho, mas a luta da categoria bancária também é pela democracia e pela defesa da soberania nacional”, afirmou.

Na mesma linha, falou o coordenador da Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras de Santa Catarina, Jacir Zimmer. “Quero ressaltar esse sentido da participação dos bancários nos mais diversos momentos nas atividades à distância. A categoria compreendeu esse momento e deu conta do recado”.

O evento ocorreu desde a manhã até o final da tarde no hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo. Também estavam presentes à assinatura representantes da Fenaban e do Comando Nacional d@s Bancári@s, entre eles o presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte, Cleiton dos Santos Silva; o presidente do Sindicato dos Bancários de Alagoas, Lindonjhonson Almeida; o presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Belmiro Moreira; o presidente do Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região, Marco Aurélio Silveira Silvano, e o vice-presidente do Seeb Campinas, Lourival Rodrigues.

 

Fonte: Contraf-CUT

 

 

 

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