Comando dos Banrisulenses rejeita proposta da direção e mantém chamado para a greve



 

 

 

Se na primeira mesa de negociação os representantes da diretoria do Banrisul lançaram uma cortina de fumaça sobre a pauta específica dos banrisulenses, ao propor a flexibilização da jornada de trabalho e o banco de horas, na segunda, nesta terça-feira, 17, a estratégia foi responder à reivindicação dos trabalhadores com uma contraproposta. Por pouco mais de duas horas, no Salão Nobre da Direção Geral, o Comando Nacional dos Banrisulenses ouviu explicações sobre uma Minuta de Proposta de Acordo Coletivo apresentada pela direção. Os sindicalistas não aceitaram a proposta e mantiveram o chamado aos funcionários do banco para as assembleias desta quarta-feira, 18/9, para organizar a greve.

Independente da proposta do Banrisul, a greve dos bancários por tempo indeterminado inicia em todo o país nesta quinta-feira, 19. As assembleias desta quarta-feira, 18, irão organizar o movimento nas bases dos 38 sindicatos filiados à Fetrafi-RS.

Na avaliação do Comando, os representantes da diretoria trocaram a fumaça por lacunas. A retórica tentou convencer os representantes dos banrisulenses de que deveriam responder ou pontuar a minuta com contrapropostas porque o banco havia chegado ao seu limite financeiro e administrativo. Na teoria, a tentativa do banco de evitar a greve foi um tiro que saiu pela culatra. Na prática, eles não deram ouvidos à pauta de reivindicações dos trabalhadores, ignorando itens fundamentais. Além disso, há retrocessos em conquistas históricas.

“O objetivo de tirar o banrisulense de uma greve nacional ficou muito longe. De fato, houve muita habilidade linguística. Mas o que aconteceu mesmo é que os diretores do banco apresentaram reajustes em verbas salariais com base na proposta da Fenaban. Não vamos fazer este jogo. Na prática, eles estão propondo cumprir com o que já está conquistado e nós queremos avançar. Nesta minuta não tem nada para a segurança, nada para o call-center, nada de democratização das decisões do banco, nada para plataformistas e ONs (Operadores de Negócios) e nada para o Plano de Carreira. A proposta da Fenaban é obrigação”, diz Mauro.

Ao longo da negociação também ficou clara  uma tentativa de atacar o processo de negociação das cláusulas da pauta específica. Os negociadores do banco indicaram e tensionaram a necessidade de estabelecer outra metodologia nas mesas com a eliminação dos registros em atas. Os dirigentes sindicais querem a entrega de propostas e contrapropostas por escrito. “Não temos que responder à minuta de proposta do banco. Nós já apresentamos uma proposta específica e é ela que devemos debater. Os diretores devem responder se aceitam ou não as nossas propostas. A nossa resposta é não a esta minuta porque já temos a nossa pauta específica a ser analisada ”, diz o diretor da Fetrafi-RS e empregado do Banrisul Carlos Augusto Rocha.

Para o diretor da Contraf-CUT, Antônio Pirotti, a estratégia da direção tenta esvaziar a mesa de negociação e transferir ao Comando Nacional dos Banrisulenses a responsabilidade. “Essa metodologia que a direção está tentando aplicar é de troca de documentos. Viemos aqui, trocamos papéis e está terminada a reunião. Não queremos isto. Entendemos que este método não é o mais adequado. O mais caro para a representação sindical é a negociação ponto a ponto. As nossas reivindicações não são contempladas na proposta apresentada pelo banco”, avaliou Pirotti.

O diretor do SindBancários e empregado do Banrisul, Luciano Fetzner, diz que, além da falta de garantias sobre conquistas dos acordos coletivos anteriores, a direção propõe aquilo que o movimento sindical e os trabalhadores já rejeitaram como a flexibilização da jornada de trabalho pela instituição do banco de horas, o que significa a desobrigação de pagar a sétima e oitava horas dos comissionados, por exemplo. “O banco ofende a representação sindical ao deixar de consolidar o processo de negociação tendo, inclusive, incluído proposta de flexibilização que os trabalhadores sequer aceitam conversar sobre isso. É uma intransigência maior até que em anos anteriores”, avalia.

Plano de Carreira

Uma das maiores lacunas na proposta de minuta apresentada pela direção do banco, na avaliação da diretora da Fetrafi-RS, Denise Corrêa, é a ausência de qualquer menção ao plano de carreira. Trata-se de um item de reivindicação histórico. “Já existe um processo estabelecido de construção do novo plano de carreira. Essa foi uma conquista dos banrisulenses. Neste momento em que já temos acúmulo, propostas definidas e debatidas, chegou a hora de resolver e implementar. Ficamos decepcionados com a falta de respeito e de atenção da diretoria com toda uma história de negociação sobre o tema, feita de forma democrática e participativa”, salienta Denise.

As lacunas da minuta apresentada pela direção

:: Nada sobre Plano de Carreira
:: Nada sobre a gratificação do call-center
:: Nada sobre a gratificação dos plataformistas
:: Nada sobre a democratização do Banrisul
:: Nada sobre investimentos em segurança

Retrocessos na proposta da direção

:: O pagamento da PLR deixa de ser efetuado aos Banrisulenses afastados por doença ou acidente de trabalho, passando a obedecer aos critérios previstos na Convenção Coletiva de Trabalho. Hoje o Banriul paga PLR a todos os afastados.
:: O pagamento da 13ª Cesta Alimentação (R$ 1 mil) será pago para os Banrisulense afastado por doença ou acidente de trabalho até 12 meses de afastamento. Atualmente é pago a todos.
:: Instituição do banco de horas. A direção propõe pagar apenas a metade das horas extras realizadas. A outra metade seria compensada com folgas.

Fonte: Fetrafi-RS

 

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