Implantado há oito meses, o Projeto-piloto de Segurança Bancária já reduziu em 30% o número de assaltos a bancos em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. De agosto do ano passado para cá, as 209 agências abrangidas das três cidades pernambucanas sofreram sete assaltos, contra dez no mesmo período do ano anterior. Este ano ocorreram até agora dois ataques, segundo levantamento do Sindicato dos Bancários de Pernambuco e da Fenaban. No mesmo período do ano passado, foram três assaltos.

Para a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, os dados comprovam que o Projeto-piloto tem sido eficaz. "Vale lembrar que, nos últimos anos, o número de assaltos a bancos em Pernambuco estava crescendo de forma assustadora. Mas desde a implantação do Projeto-piloto, a curva ascendente de assaltos foi invertida, o que mostra a eficácia das medidas de segurança implantadas nas 209 agências de Recife, Olinda e Jaboatão", comenta Jaqueline.

Nesta quarta-feira, dia 23, o Sindicato e a Contraf-CUT voltaram a se reunir com a Fenaban dentro do Grupo de Acompanhamento do Projeto-piloto. Foi a quinta reunião do grupo no Recife, que nos encontros anteriores já havia constatado uma redução na criminalidade.

Os dados sobre o crime da "saidinha de banco" não puderam ser avaliados porque a Secretaria de Defesa Social (SDS) do governo de Pernambuco não compareceu. Também não participaram representantes das três prefeituras e do Ministério Público. As entidades serão novamente convidadas para a próxima reunião do Grupo de Acompanhamento, agendada para o dia 26 de maio, às 13h, no Recife.

Extensão das medidas para todo o país

Segundo o secretário de Imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, Ademir Wiederkehr, o balanço desses oito meses de Projeto-piloto é positivo.

"Ainda temos muito o que avançar, mas já podemos constatar que os equipamentos implantados nas três cidades pernambucanas estão sendo eficientes para melhorar a segurança e, principalmente, proteger a vida das pessoas. Esperamos obter novos avanços e estender as medidas aprovadas para todas as agências e postos de atendimento em todo o país", defende.

O Projeto-piloto foi conquistado pelos bancários na Campanha Nacional de 2012. Implantado em agosto de 2013, o acordo garantiu a instalação de porta giratória com detector de metais, câmeras internas e externas, biombos em frente aos caixas, guarda-volumes e cofres com retardo, além da presença de vigilantes armados e com coletes a prova de balas. A duração do Projeto-piloto é de um ano.

Os bancários voltaram a cobrar melhorias nos biombos instalados pelo Itaú, na medida em que muitos não são opacos e por isso não garantem privacidade aos clientes na hora de sacar dinheiro nos caixas.

Qualidade nas imagens das câmeras

Durante a reunião desta quarta-feira, o Sindicato e a Contraf-CUT cobraram da Fenaban que os bancos melhorem a qualidade das imagens das câmeras de segurança.

A reclamação foi apresentada por delegados da própria polícia, na última reunião, dizendo que muitas vezes não conseguem identificar os suspeitos no vídeo. Numa das ocorrências, o vigilante de uma agência não se reconheceu nas imagens.

Os representantes dos bancos ficaram de verificar as unidades com problemas. Além da boa resolução das imagens, os bancários defenderam também o monitoramento em tempo real fora do local controlado, como forma de inibir assaltos e auxiliar na identificação de suspeitos.

Vidros blindados nas fachadas

Outra cobrança feita pelos representantes dos bancários foi a instalação de vidros blindados nas fachadas das agências, medida não prevista no Projeto-piloto. Num dos assaltos registrados este ano no Recife, os ladrões entraram na agência quebrando os vidros com uma marreta.

A Fenaban negou a implantação de vidros blindados, alegando ter pareceres técnicos que mostram a ineficácia do equipamento. Os bancários rebateram, dizendo que as atuais fachadas são vulneráveis e facilitam o ataque dos bandidos.

Mais transparência

"A reunião foi boa, mas infelizmente os demais atores envolvidos no Projeto-piloto não compareceram. A falta de representantes da SDS prejudicou um pouco este encontro, pois não tivemos acesso aos dados mais detalhados sobre os crimes de \’saidinha de banco\’ que estão contidos nos boletins de ocorrência, como os bairros, as instituições financeiras mais vulneráveis e o modus operandi dos assaltantes", afirma o diretor do Sindicato, João Rufino.

"Com essas informações poderemos trabalhar melhor para combater esta modalidade de crime. Esperamos que na próxima reunião o governo de Pernambuco envie seus representantes, assim com o Ministério Público e as prefeituras das três cidades", conclui o dirigente sindical.

Fonte: Contraf-CUT com Seec Pernambuco

 


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