Rodada específica: Banrisul propõe retirada de direitos de afastados

A segunda rodada de negociações da pauta específica dos banrisulenses, iniciada nesta quarta-feira, 17, se resumiu na disposição do Comando de avançar e na tática defensiva da diretoria do Banrisul. Aliás, os negociadores do banco só mudaram de postura quando o assunto foi retirar direitos dos trabalhadores. Sem propostas ou acenar com avanços, a diretoria veio para a negociação, ocorrida na Associação dos Bancos do RS não só para enrolar, mas para condicionar a renovação do Acordo Coletivo do ano passado à exclusão dos banrisulenses afastados do trabalho por motivo de doença do pagamento da PLR Banrisul e outros benefícios, como a 13ª cesta alimentação e vale-refeição.

A diretoria propôs ainda que o Acordo fosse prorrogado até 2 de outubro. O Comando rechaçou, de forma indignada, as propostas do banco, destacando que só assinaria a prorrogação com a manutenção das cláusulas que o Banrisul queria suprimir e com prazo fixado no término da negociação.

Os temas saúde e condições de trabalho foram debatidos no período da tarde diante do impasse a prorrogação do Acordo Coletivo 2013. Por cerca de seis horas, os debates seguiram acirrados, com muitas discussões sobre pontos específicos e sob a intransigência da diretoria. Na avaliação do Comando, o Banrisul enrola para ganhar tempo e esperar a proposta de índice que a Fenaban promete apresentar nesta sexta-feira, 19. Os negociadores querem empurrar para depois do dia 2 de outubro, quando se encerram as negociações, a apresentação de uma proposta global.

"O banco está propondo retirar PLR e outras conquistas que os banrisulenses tiveram depois de lutar por muitos anos. A falta de sensibilidade pode ser medida pelo momento que a diretoria propõe atacar os afastados por doenças. Eles querem tirar benefícios como vales e cesta alimentação que já estão consagrados como conquista e direito por seis meses no caso de afastamento por doença, no dia em que estamos debatendo saúde e condições de trabalho. Ninguém pode perder nada”, apontou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Para o integrante do Comando Nacional, diretor da Contraf-CUT e funcionário do Banrisul, Antonio Pirotti, a estratégia dos negociadores do Banrisul foi atacar o movimento sindical e transferir a responsabilidade por uma eventual perda de direitos. "É lamentável que, quando temos uma mesa de debates sobre saúde, o Banrisul venha tentar tirar direitos dos afastados porque estão doentes. O banco traz uma situação para inviabilizar o acordo. Depois, eles vão dizer que as entidades sindicais não aceitaram os avanços que eles propuseram. Não temos como aceitar algo que foi tirado para depois ser reposto. Não vamos aceitar que as conquistas do ano passado sejam usadas como barganha na Campanha Salarial”, avisou Pirotti.

O Banrisul não pode alegar motivos econômicos para retirar direitos dos afastados. É consenso que o impacto do pagamento de alguns benefícios – como a cesta alimentação e vale refeição – é relevante. "Estão discriminando os afastados. Se estiver afastado cinco meses agora, no próximo mês já não receberia. Não aceitaremos retroceder. O banco não quer negociar e agora propõe retirar direitos. Ainda por cima, quer usar isso para dizer, no fim da negociação, que o retorno do que se retirou é o avanço”, acrescenta o diretor da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo.

Plano de Carreira

Mesmo que a estratégia da diretoria tenha sido empurrar com a barriga a negociação, trazendo para o debate a assinatura da prorrogação do Acordo Coletivo do ano passado e esquivando-se de debater Plano de Carreira, o Comando Nacional dos Banrisulenses cobrou o cumprimento de Acordo Coletivo anterior em que ficara acertado acordo que previa a implantação do Plano de Carreira. O argumento do banco é que o Acordo Coletivo do ano passado foi cumprido, sobretudo no que respeita a manutenção da Comissão Paritária, formada por representantes dos trabalhadores e da diretoria, para negociar e implantar o Plano de Carreira, porém sem compromisso de implantar sequer para o Quadro Básico. O Comando Nacional pressionou no início da reunião para debater agora o Plano de Carreira e buscou compromisso do banco com o anúncio de uma data de implantação. O banco quer debater Plano de Carreira em 2 de outubro.

PLR

A PLR Banrisul esteve em pauta na rodada de negociação desta quarta-feira. Para ganhar tempo, os negociadores propuseram a suspensão do benefício como condição para assinar prorrogação de vigência do Acordo Coletivo do ano passado. No início da reunião, propuseram o dia 30 de setembro como prazo final de vigência da renovação. Com isso, a proposta era renovar um conjunto de conquistas da categoria por apenas 13 dias. Mais adiante, aceitaram ampliar o prazo para 2 de outubro. A assessoria jurídica e o Comando entendem que não é possível assinar um documento que gere perda de direitos.

Segurança

Outra tática do Banrisul é tergiversar. Ante as propostas dos banrisulenses, eles praticamente mudam de assunto e apresentam as "soluções” que estão em andamento. Chegaram a levar o gerente de segurança para enumerar programas de treinamento e investimentos voltados para a segurança patrimonial não para a defesa da integridade e da vida dos trabalhadores. No que diz respeito à segurança, os integrantes do Comando Nacional cobraram a instalação de biombos perto dos caixas e dos terminais de autoatendimento, de portas-giratórias antes dos caixas-eletrônicos, de vidros blindados, câmeras.

O Comando entendeu que o banco precisa avançar muito nos investimentos em segurança. O discurso dos diretores e especialistas do banco aponta para a direção de estratégias que visam à proteção do dinheiro. Os banrisulenses querem que os investimentos em segurança sejam feitos para a defesa da vida dos trabalhadores. O Comando também toma como inaceitável o fato de o Banrisul ainda exigir de seus funcionários que fiquem com as chaves e abram as agências. Isso expõe os trabalhadores a sequestros por quadrilhas cada vez mais bem informadas sobre as rotinas dos bancários e de seus familiares.

Saúde

Um dos mantras do Departamento de Saúde do SindBancários costuma referir que, para combater o adoecimento no ambiente de trabalho, é preciso conhecer a realidade e a causa das doenças. O Banrisul não tem fornecido dados sobre número de trabalhadores afastados e tipo de doença que os afastou. Aliás, o Departamento de Saúde costuma pedir dados e não vem. O banco alega que não pode fornecer dados de bancários doentes, porque isso seria ilegal. O Comando esclareceu que não solicita dados médicos pessoais de trabalhadores, mas dados estatísticos com volume de afastamentos por tipo de doença, como LER/DORT e sofrimento mental. Quem não conhece, não previne. A partir das 9h desta quinta-feira, os debates sobre saúde serão retomados.

Calendário de mesas de negociação

1ª rodada
Quinta-feira, 11/9, na Sede da Fetrafi-RS, diretoria frustrou Comando Nacional dos Banrisulenses ao não renovar Acordo Coletivo de 2013. A pressão do Comando arrancou calendário de negociação.

2ª rodada
Quarta, 17/9, na sede da Associação dos Bancos, o Comando Nacional dos Banrisulenses rechaçou a proposta da diretoria do Banrisul de cortar benefícios de Banrisulenses afastados por doença, suspender a PLR Banrisul para renovar Acordo Coletivo de Trabalho específico do ano passado. Também foram debatidos os temas saúde, segurança e condições de trabalho.

Quinta-feira 18 de setembro | Associação dos Bancos (Rua dos Andradas, 1234, Centro – PoA)
Temas:Saúde e Cabergs

3ª rodada
Quarta e quinta-feira, 1º e 2 de outubro | Sede da Fetrafi-RS
Temas:Sistema de valorização profissional; prêmios; auxílios e Plano de Carreira

Pauta específica do Banrisul

> Adicional mensal de R$ 1.126,20 para caixas que desempenharem funções de tesoureiro e que não seja comissionado.

> Gratificação mensal de R$ 1.260,00 para funcionários do Call-Center, Operadores de Negócio (ONs) e plataformistas que não exerçam as funções de caixa e ONs.

> Criação de uma RV4, com a formação de um fundo mensal, que será dividido entre os plataformistas.

> Negociação permanente sobre todo e qualquer assunto relacionado com os objetivos de produtividade do Banrisul.

> Criação de remuneração complementar a partir da distribuição de percentual de 10% do total da venda de todos os produtos financeiros e 5% dos serviços prestados e distribuídos linearmente a todos os empregados.

> Fim das metas abusivas.

> Retorno das férias antiguidades.

> Mais contratações.

> Estratégias de gestão com a participação dos Banrisulenses.

> Não às terceirizações.

> Reposição especial de R$ 557,48 para o quadro de TI-II e um incentivo de Vantagem de Nível para funcionários do Quadro A que exerçam atividades de TI nas unidades de TI.

> Pagamento aos Banrisulenses que trabalham com vendas de produtos dos mesmos 1% pagos aos correspondentes imobiliários.

> Reformulação do artigo 59 do Regulamento de Pessoal para tornar perene o Plano Desempenho, com pagamento de metade no primeiro semestre e metade no segundo.

> Implementação imediata do novo Plano de Carreira.

> 13ª Cesta Alimentação no valor de R$ 1.125,00.

> Isenção de pagamentos de tarifas pelo Banrisulenses em empréstimos e taxas de juros abaixo do mercado extensiva ao cheque especial e ao crédito consignado.

>Pagamento pelo Banco a todos os Banrisulenses das perdas salariais de 1999 e 2000 pelo não cumprimento de acordo com a Fenaban.

> PLR Banrisul de 2,5% sobre o lucro líquido e distribuição linear.

> Pagamento do mesmo 1% pago aos correspondentes imobiliários aos banrisulenses que trabalham com venda de produtos de crédito imobiliário.

Fonte: Imprensa/SindBancários com edição da Fetrafi-RS

 

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