Bancários caxienses aderem à greve nacional por salário e condições de trabalho

Os bancários de bancos públicos e privados de todo o país entraram em greve nacional a partir desta terça-feira 30, por tempo indeterminado. Em Caxias do Sul e região cerca de 30 agências não abriram para o público e somente o autoatendimento estava disponível para a população. Nos próximos dias novas agências devem aderir ao movimento.

"Além de o índice de reajuste não atender a expectativa dos bancários, a proposta não contempla as reivindicações não econômicas, que para nós são imprescindíveis, como garantia de emprego, combate às metas abusivas e ao assédio moral, segurança bancária e igualdade de oportunidades”, disse o coordenador da Secretaria de Organização Política e Sindical do Sindicato dos Bancários de Caxias do sul e Região, Nelso Antônio Bebber.

“Estamos pedindo 12,5% de reajuste salarial e os bancos ofereceram 7,35%, que dá 0,94% de aumento real. Sabemos que os bancos podem mais e por isso estamos pedindo mais”, afirma Bebber.

Somente os seis maiores bancos (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander e HSBC), que somados detêm mais de 85% dos ativos do sistema financeiro e empregam mais de 90% dos bancários, tiveram lucro líquido de R$ 56,7 bilhões em 2013 e mais R$ 28,5 bilhões no primeiro semestre deste ano.

"Mesmo com estes lucros, os bancos continuam demitindo e usando a rotatividade para reduzir a média salarial da categoria”, observa o sindicalista. “As demissões não prejudicam somente os trabalhadores, mas também a população, que não têm serviço adequado e é obrigada a pagar tarifas cada vez mais altas.

Em razão da pressão sofrida pelos trabalhadores para alcançar as metas cada vez mais altas, muitas vezes acompanhada pelo assédio moral, 18,6 mil bancários doentes foram afastados do trabalho pelo INSS em 2013 (aumento de 41% em relação aos últimos cinco anos), mais da metade dos quais com diagnóstico de transtornos mentais e do sistema nervoso – doenças que cresceram 64,3% desde 2008.

“Não gostamos de fazer greve, mas é nosso último recurso, após oito rodadas de negociação com avanço mínimo por parte da Fenaban”, ressalta Nelso Bebber.

Agências paralisadas

Em Caxias do Banrisul – Centro (paralisação parcial); São Pelegrino; Alfredo Chaves; Capuchinhos; Lourdes; Pio X; e Praça da Bandeira. Também as agências de Farroupilha (parcial) e Flores da Cunha.

Caixa Econômica Federal – Agência Centro (parcial); Capuchinhos; Lourdes; 20 de Setembro; Pio X; Iguatemi; e nas cidades de Canela, Flores da Cunha, São Marcos e Garibaldi.

Santander, Itaú e Bradesco – três agências de cada banco localizadas na área central de Caxias do Sul.

Banco do Brasil – agências dos municípios de Flores da Cunha e Gramado.

Conforme Nelso Bebber, historicamente os primeiros dias são sempre mais fracos em termos de adesão, e conforme passam os dias, mais agências deverão aderir ao movimento.

Orientação nacional

Por orientação do Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT, a decisão de greve foi tomada pelas assembleias realizadas pelos sindicatos nesta segunda-feira à noite, que ratificaram as decisões das assembleias do dia 25 e rejeitaram a nova proposta apresentada no sábado 27 pela Fenaban, elevando o índice de reajuste de 7% para 7,35% (0,94% de aumento real) para os salários e demais verbas salariais e de 7,5% para 8% (1,55% acima da inflação).

O Comando Nacional é formado pela Contraf-CUT, dez federações e 134 sindicatos de bancários de todo o país, que representam mais de 90% dos 511 mil trabalhadores de bancos públicos e privados.

AS PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES DOS BANCÁRIOS

Reajuste salarial de 12,5%.

Piso Salarial de R$ 2.979,25

PLR: três salários mais parcela adicional de R$ 6.247.

14º salário.

Vales alimentação, refeição, cesta-alimentação, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 724,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

Gratificação de caixa: R$ 1.042,74.

Gratificação de função: 70% do salário do cargo efetivo.

Vale-cultura: R$ 112,50 para todos.

Fim das metas abusivas.

Combate ao assédio moral.

Isonomia de direitos para afastados por motivo de saúde.

Manutenção dos planos de saúde na aposentadoria.

Emprego: fim das demissões e da rotatividade, mais contratações, proibição às dispensas imotivadas como determina a Convenção 158 da OIT, aumento da inclusão bancária e combate às terceirizações.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.

Prevenção contra assaltos e sequestros: cumprimento da Lei 7.102/83 que exige plano de segurança em agências e PABs, garantindo pelo menos dois vigilantes durante todo o horário de funcionamento dos bancos; instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento das agências; biombos em frente aos caixas e fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.

Igualdade de oportunidades para todos, pondo fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

Fonte: Contraf-Cut com informações e edição da Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e Região

 

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