Após lucro de R$ 5 bilhões, Itaú retoma reclamações contra governo

Banco malha Petrobras em relatório após reajuste de 3% no preço da gasolina; ação da estatal "merece ser negociada com desconto, a despeito do crescimento da produção", diz texto do Itaú BBA distribuído hoje ao mercado; instituição cobrou aumento, governo avisou que o daria antes do final do ano, mas gesto foi classificado como "vitória de Pirro a um custo devastador" no relatório da instituição do banco de Roberto Setubal; com lucro líquido de R$ 5 bilhões no 3º trimestre, Itaú pagará à herdeira Neca Setubal, segundo a consultoria Economatica, R$ 14 milhões em dividendos este ano; mas, pelo Face, Neca reproduziu ontem artigo de Marina Silva atacando política econômica; choro de barriga cheia vale?

Durante a campanha eleitoral, debaixo de cobranças de diversas frentes por um aumento no preço dos combustíveis, o ministro da Fazenda, Guido Fazenda, e a presidente Dilma Rousseff, na condição de candidata à reeleição, deram a mesma resposta: até o final do ano, a exemplo do que ocorreu em anos anteriores, o reajuste seria dado. Agora, um dia após o anúncio da Petrobras de que os preços da gasolina e do óleo diesel subirão, respectivamente, 3% e 5% para os distribuidores, quem cobrava passou a criticar a medida pedida e atendida.

Nesse rol, em particular, se sobressai na crítica o banco Itaú BBA – braço de investimentos da instituição das família Setúbal. Em relatório ao mercado, o Itaú considera que a Petrobras não tem uma política "transparente" para preços dos combustíveis – apesar de o governo estar praticando, a cada final de ano, um índice de reajuste. Por esta e outras razão, prega o relatório um castigo à estatal, que deveria ter o preço de suas ações rebaixado para compra e venda.

– Na ausência de uma política de preços transparente e dos níveis de endividamento, a Petrobras merece ser negociada com desconto em relação a seus pares a despeito do aumento de produção, escreveu, em estilo bastante direto e reto, a analista Paula Kovarsky. Como resultado, o Itaú rebaixo o preço-alvo da ações da estatal, orientando o mercado a pagar menos pelos papéis da companhia.

O contexto de mais essa crítica do Itaú é dos mais interessantes. Dois dias atrás, o banco presidido por Roberto Setubal apresentou o maior lucro líquido entre todas as instituições financeiras do País, chegando a R$ 5,4 bilhões apenas no 3º trimestre deste ano. Um resultado obtido à maior seletividade no crédito e ao aumento da próprias tarifas sobre os clientes.

Com este número reluzente, o Itaú poderá pagar fortunas em dividendos aos seus acionistas. Para ficar apenas na herdeira da instituição, Neca Setubal, dona de parte da Itausa, a holding que controla o banco e os negócios a ele ligados, a conta é de um rendimento, apenas este ano, de cerca de R$ 14 milhões. O cálculo foi feito pela renomada consultoria Economática.

Mesmo Neca, porém, continua sem encontrar motivo para comemorar. Depois de ter feito o papel de braço direito da candidata Marina Silva durante a eleição presidencial, ela continua fiel escudeira da ex-senadora. Em sua página no Facebook, ontem, Neca manifestou seu descontentamento com a política econômica reproduzindo artigo de Marina com críticas aos movimentos pós-eleitorais do governo.

É franqueado a todos reclamar da situação. Inclusive aos que estão, como diz o dito popular, chorando de barriga cheia. Ocorre, nesses casos, de o choro não ser levado a sério.

Abaixo, notícia do portal especializado Infomoney, parceiro de 247, sobre o relatório do Itaú BBA:

Reajuste da Petrobras é "vitória de Pirro", obtida a um custo devastador, diz Itaú BBA

A Petrobras (PETR3;PETR4) anunciou na última quinta-feira (6) o reajuste de preços tão aguardado pelo mercado (apesar do anúncio ter pego de surpresa o mercado ontem, já que era aguardado só para a semana que vem). A companhia aumentou o preço da gasolina em 3% e o diesel, em 5%.

Porém, os analistas avaliam que, apesar do alívio para a companhia com o reajuste, os problemas para a estatal continuam.

O Itaú BBA reduziu o preço-alvo para 2015 dos ativos preferenciais da companhia, que foi de R$ 25,00 para R$ 23,70, mantendo a recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) ao incorporar o aumento dos preços e a expectativa de preços do petróleo em 2015. E, de acordo com a analista Paula Kovarsky, o reajuste da companhia foi uma espécie de "vitória de Pirro", obtida a um custo devastador.

"A frase \’vitória de Pirro\’ descreve o que ocorreu com o rei grego Pirro de Épiro, cujo exército sofreu vítimas insubstituíveis depois de derrotar os romanos em 280 aC. [É] uma vitória com tal custo devastador que é equivalente a derrota. Alguém que ganha uma vitória de Pirro foi vitorioso, de alguma forma; no entanto, o pesado tributo nega qualquer sentimento de realização ou lucro. Esta é uma boa maneira de descrever a nossa reação ao anúncio do aumento [dos preços de combustíveis]", ressalta.

Com o reajuste, a ação pode ter uma reação positiva no curto prazo, avalia, mas há riscos de baixa para o desempenho da empresa, especialmente se o real continuar se depreciando. "Na ausência de uma política de preços transparente e diante dos níveis de endividamento, a Petrobras merece ser negociada com desconto em relação a seus pares a despeito do crescimento da produção", afirmou.

Com os preços mais baixos do petróleo, combinados com preços estáveis da gasolina e diesel ao longo de 2015, o banco reduziu em 16% estimativas de lucro, para R$ 21,9 bilhões. Isso implica em um múltiplo de preço sobre lucro de 8,4 vezes, um desconto de 13% sobre seus pares.

A analista ressalta que o aumento, muito aguardado, no entanto, coincidiu com os preços à vista domésticos se aproximando da paridade internacional, seguindo a queda acentuada dos preços do petróleo e já ajustado para a depreciação do real. Com o anúncio, a gasolina tem agora um prêmio de 1% frente o preço no exterior.

"Acreditamos que a decisão de adiar o aumento de quase um ano, combinado com a decisão contra-intuitiva de fazê-la quando o desconto diminuiu, não faz nada para melhorar a confiança do investidor no compromisso da empresa com uma política de preços. A transparência na política de preços continua a ser um elemento-chave na recuperação da confiança dos investidores; e o aumento anunciado, em nossa visão, infelizmente segue a política de costume de sacrificar os aumentos de preços para apoiar a agenda macroeconômica", afirma a analista.

Ela lembra o comunicado enviado à imprensa sobre a fórmula de precificação do ano passado, em que o conselho da Petrobras se comprometeu arever a política de preços da empresa, visando a conversão da dívida líquida/Ebida para 2,5 vezes em dois anos. "Um ano se passou e nós estimamos que a dívida líquida/Ebitda tenha atingido a relação 4,5 vezes no terceiro trimestre!", afirmou.

Fonte: Portal Brasil 247
 

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