"Um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil pressupõe mercado de consumo robusto, regionalização do crescimento com novas fronteiras econômicas, sistemas de financiamento e de inovação, educação universalizada e infraestrutura como indutora do novo ciclo". Essas são, segundo o jornalista econômico Luís Nassif, as principais características para a construção de uma agenda positiva que levará o país a superar o momento conjuntural difícil e complexo que atravessa neste início do segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff.

Nesta sexta-feira (12), em São Paulo (SP), Nassif participou da mesa sobre análise de conjuntura na abertura dos trabalhos do 31º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que acontece até domingo (14), no Hotel Holiday Inn, no Parque Anhembi. Ele acredita que, hoje, o maior inimigo da retomada do desenvolvimento sistêmico é o obscurantismo fomentado pela mídia, que difunde o terror com base em notícias falsas, na tentativa de desestabilizar um conjunto de ações governamentais de distribuição da renda, de ganho real para o salário mínimo e de ampliação do emprego.

Para Luís Nassif, "há um clima pulsante, pois ideias, conhecimento e competência existem, havendo também um grande amor pelo Brasil". Segundo o jornalista, a situação atual está assim: o mapa da crise, com base nos cenários de 2013 e 2014, passa pela mídia tradicional, um setor que atua sob a lógica de "sempre cumprir o papel de segurar o passado, devido notadamente ao controle que exerce sobre esse passado", estando aí o medo em relação ao processo inaugurado pelas novas tecnologias, com o surgimento da internet e das redes sociais.

Sobre as recentes medidas adotadas pelo governo federal na área econômica, Nassif classificou como desastrosa a política do Ministério da Fazenda e do Banco Central, sobretudo na parte fiscal. Ele disse que há uma espécie de conflito de prioridades, considerando um erro o governo combater a inflação com aumento das taxas de juros e da demanda. Com isso, segundo o jornalista, a opção é por fazer superávit primário com o corte das despesas sociais, levando até mesmo a que as contas externas sejam fechadas com desvalorização cambial.

Apesar da necessidade de um ajuste fiscal, devido a problemas de voluntarismo que provocou uma situação difícil para as contas públicas nos últimos anos, isto deveria ter sido feito de forma sistêmica, avaliou ele. Para isso, segundo Luís Nassif, instituições financeiras públicas como a Caixa Econômica Federal deveriam ter sido acionadas, pois em outros momentos mostraram competência para fomentar o desenvolvimento social do país, sem aumento da taxa de Selic. "O BC, mais cedo ou mais tarde, vai ter de rever essa maluquice de taxa alta nos juros, dado que as contas públicas não fecham com essa política suicida", destacou.

Para Nassif, um novo modelo para o país deve levar em conta a participação social. Ele afirmou que, com a ascensão das redes sociais, tem-se a diluição de todos os poderes indistintamente.

Afirma que a crise não é apenas do Executivo, mas também do Legislativo, do Judiciário e até do movimento sindical. "O Brasil tem condições para realizar um grande salto de gestão, independentemente da crise. Isto está traduzido nos avanços conquistados nos últimos anos em áreas como bancos públicos, política científica e tecnológica, desenvolvimento regional, saúde e educação. Temos um país que dá para montar em cima do que já existe, pois já foi construído um modelo de democracia social e de inovação em diversos segmentos da sociedade", disse.

Ele defendeu ainda que a capilaridade dos bancos públicos seja transformada em agente de desenvolvimento, com a urgência que o momento requer.

"A montagem de grandes políticas só é bem-sucedida quando todos os lados são ouvidos. Os bens intangíveis, como o esporte, a cultura, a moda, entre outros, são um ativo importante para a construção de um projeto de país calcado em crescimento econômico, modernização e participação social", assegurou Nassif. Ele concluiu a análise de conjuntura no 31º Conecef dizendo que o governo brasileiro precisa refletir essa visão de conjunto, tendo consciência de que, "se houve iniciativas importantes de inclusão social em período recente, agora o momento exige a adoção de um projeto para o Brasil".

Mais reflexões sobre o Brasil e a Caixa

A mesa sobre análise de conjuntura contou também com a participação dos representantes dos empregados no Conselho de Administração da Caixa. Fernando Neiva e Maria Rita Serrano falaram sobre a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento econômico e social do país e defenderam o fortalecimento dessas instituições como agentes de políticas públicas que podem transformar a realidade do Brasil.

Em seu pronunciamento, Neiva destacou a mobilização dos trabalhadores e das entidades do movimento associativo e sindical em defesa da Caixa 100% pública.

"Tivemos uma grande vitória. Foi a pressão dos empregados da Caixa, da Contraf/CUT, da Fenae e das federações e sindicatos de todo o país, condutoras de uma grande mobilização nacional para defender esse grande patrimônio da sociedade brasileira, que determinou o recuo do governo na intenção de abertura de capital do banco", lembrou. E acrescentou: "o que queremos é uma Caixa cada vez mais forte e comprometida com o desenvolvimento do país", enfatizou o representante eleito.

Para a conselheira suplente no CA, Maria Rita Serrano, o debate sobre o papel dos bancos públicos, em especial da Caixa, não se encerra. É preciso, segundo ela, que a discussão seja constante, e sugeriu que a sociedade aprofunde a discussão sobre o papel do sistema financeiro no Brasil como um todo. "Temos, por exemplo, uma resolução do Banco Central, que estabelece que 65% dos recursos capitados com poupança pelos bancos devem ser investidos em habitação. A Caixa tem cumprido com essa determinação. Por que os outros bancos não agem do mesmo modo?", questionou Rita Serrano.

Unidade para conquistar

Na abertura do 31º Conecef, Genésio Cardoso, membro da Comissão Executiva do Empregados da Caixa, explicou que está conduzindo os trabalhos pela ausência de Fabiana Matheus, coordenadora da CEE/Caixa-Contraf/CUT, que está em tratamento de saúde. "Trago a mensagem dela, no sentido de que o clima desse congresso seja o de unidade. Foi assim que conquistamos muito ao longo dos anos. Que tenhamos debates e deliberações construtivos em torno da nossa pauta de reivindicações, para conquistarmos o que ainda é necessário", declarou.

 

Fonte: Rede de Comunicação dos Bancários
 

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