Sem propostas para questões de saúde e segurança, Banrisul frustra negociações

Após quatro horas de debates na sede da Fundação Banrisul de Seguridade Social, (FBSS), no Centro de Porto Alegre, a segunda mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Banrisulenses e representantes da diretoria do banco terminou sem avanços. Os temas abordados nesta negociação foram saúde e segurança. A próxima reunião será no dia 23, às 14h, na Casa dos Bancários. Os banrisulenses devem ficar atentos ao tema. Estarão em debate a valorização profissional, a democratização das relações de trabalho e os prêmios e auxílios.

Logo na abertura da mesa de negociação, o superintendente de Gestão de Pessoas, Gaspar Saikoski, voltou na conjuntura econômica. O gestor mencionou o retorno da CPMF, Contribuição sobre Movimentação Financeira, de 0,2%, e o impacto que teria para os bancos. Os membros do Comando dos Banrisulenses rejeitaram novamente este argumento, destacando que a volta do imposto não afetará em nada a lucratividade do setor financeiro, que cresceu muito no primeiro semestre de 2015.

Após ouvir relato do presidente do SindBancários sobre os debates na mesa de negociação nacional e ser informado de que a Fenaban havia finalmente reconheceu o volume muito grande de bancários adoecidos, o Banco fez o mesmo. No entanto, a proposta para combater o adoecimento foi a retomada da Comissão de Saúde. Ficou acertado que 20 dias após a assinatura do Aditivo deste ano começarão as reuniões do fórum, que é formado por representantes do banco e dos banrisulenses.

Em relação à segurança, a estratégia dos representantes do Banrisul foi a mesma. Repassar os debates para a Comissão de Segurança. Os negociadores do Banco anunciaram investimentos em inteligência, mais equipamentos, mas não assumiram nenhum compromisso com a pauta dos banrisulenses. Os dirigentes sindicais demonstraram que os investimentos se concentram na defesa do patrimônio em detrimento da vida de trabalhadores e clientes.

"Os banqueiros reconheceram que os bancários estão adoecendo, mas demoraram muito tempo. O adoecimento dos bancários teve que virar uma epidemia para eles assumirem isto. Estamos propondo uma forma de resolver aqui na mesa de negociação, melhorando as condições de trabalho para os colegas”, disse o diretor da Fetrafi-RS, Carlos Rocha.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, reagiu à tentativa dos representantes do Banco de relativizar os dados da Pesquisa Trabalho e Saúde Mental da Categoria Bancária do Rio Grande do Sul, realizada em parceria com a Fetrafi-RS e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). "Não houve avanços na mesa de negociação. De toda a nossa pauta de saúde, propor a retomada da Comissão de Saúde é muito pouco. Prevenção é investimento, não é custo”, avaliou Gimenis.

Os dados da pesquisa das entidades sindicais indicam que 46,9% dos banrisulenses que responderam ao questionário admitem uso de medicação e que 21,7% usam medicação controlada devido ao trabalho. Outro dado mostra que 45,4% dos participantes da pesquisa sofrem de depressão e ansiedade.

3ª Mesa de negociação com a diretoria do Banrisul – Cláusulas econômicas
Quarta-feira, 23/9 | 14h | Casa dos Bancários (General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre) 

O que estará na mesa
> Sistema de valorização profissional
> Prêmios e auxílios
> Democratização do banco e trabalho de terceiros

Fonte: Imprensa/SindBancários com edições da Fetrafi-RS

 

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