Marcando em cima – Para que serve o Sindicato?

O ar condicionado não está funcionando na agência, e os colegas estão passando mal? Chama o pessoal do Sindicato. O banco está aberto sem uma porta giratória? Chama o Sindicato! A colega está sendo assediada pelo gerente para cumprir metas abusivas? Chama o Sindicato, é claro! O banco atrasou o pagamento da PLR. E agora? Chama o Sindicato!

Enfim, praticamente todo mundo sabe para o que servem os Sindicatos e o Sindicalismo nas ações – diárias ou não – em defesa das suas categorias e dos trabalhadores. Em muitas situações, o Sindicato é apenas o único apoio próximo e acessível para o trabalhador em situação de exploração ou sofrendo qualquer outro tipo de abuso ou supressão de direitos, humanos e trabalhistas.

Mas há quem enfie a cabeça na areia poluída dos grandes interesses e do conservadorismo e saia de lá enxergando apenas inutilidade no sindicalismo e nos sindicalistas – até que ele também necessite de apoio.

Para estes, a sociedade capitalista e neoliberal é perfeita e oferece oportunidades iguais para todos – dos herdeiros das grandes fortunas aos moradores de favelas – e tudo pode ser intermediado e resolvido por Sua Eminência, o Mercado.

Falta a eles, por certo, algum conhecimento histórico. O Sindicato também fornece formação. O sindicalismo tem origem nas corporações de ofício na Europa medieval. Já no século XVIII, durante a revolução industrial na Inglaterra, os trabalhadores, oriundos das indústrias têxteis, doentes e desempregados juntavam-se nas sociedades de socorro mútuos.

Esta revolução teve um papel crucial no advento do capitalismo, pois, devido à constante concorrência que os fabricantes capitalistas faziam entre si, as máquinas foram ganhando cada vez mais lugar nas fábricas, tomando assim o lugar de muitos operários. Estes se tornaram o que é chamado “excedente de mão de obra”, logo o capitalista tornou-se dono da situação e tinha o poder de pagar o salário que quisesse ao operário.

É neste momento que surgem duas novas classes sociais, o capitalista e o proletário, onde o capitalista é o proprietário dos meios de produção: fábricas, máquinas, matéria-prima. Por outro lado, o proletário, que era proprietário apenas de sua força de trabalho, passou a ser propriedade do capitalista, que pagava salários cada vez mais baixos para obter mais lucros, forçando o proletário a trabalhar em uma jornada que chegava até 16 horas.

Já pensou trabalhar 16h horas por dia? Só sobrava tempo para comer (mal) e dormir (pior ainda). Lazer, cultura, saúde, férias? Nem pensar.

Trabalhar, trabalhar até morrer (aos 40 anos). Situação análoga à escravidão.

E é neste momento – com muita luta, mártires, prisões, assassinatos de operários – que o sindicalismo moderno surge. Para amenizar o sofrimento dos trabalhadores na exploração capitalista.

No entanto, há quem acredite que sindicatos só existem para atrapalhar o trânsito com suas passeatas e manifestações… (Uma boa parte de quem diz isso, dentro de seu carro, repercutindo o que dizem ou escrevem “formadores de opinião” da grande mídia, esquece que ele mesmo não teria garantias de emprego, salário e direitos, e talvez nem um carro, se não fosse a luta sindical).

Outros, com alguma dose de cinismo, perguntam: O que fazem os sindicatos em situações de crise e perda de empregos? Nestes casos, repassam ao sindicalismo uma pergunta que deveria ser feita ao grande empresariado ou aos governos. Os sindicatos fazem o que podem para minimizar, enfrentar ou evitar as situações no limite de suas capacidades.

Não é sem motivo que alguns dos principais nomes da política brasileira e estadual são oriundos do sindicalismo. Nós, do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, nos orgulhamos de ter na categoria o sindicalista, ex-prefeito de Porto Alegre, ex-governador do Estado e ex-ministro Olívio Dutra, com seu perfil de estadista. Também é bancário e sindicalista o atual prefeito de Porto Alegre, José Fortunati. O ex-prefeito, ex-governador e ex-ministro Tarso Genro também passou pelo Sindicato como advogado trabalhista.

Sindicalistas como Olívio, Paulo Paim – e o próprio metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva – foram deputados constituintes e ajudaram a construir uma legislação avançada para o Brasil, em 1988, quando o país começava a se reconstruir, após mais de 20 anos de ditadura.

Sim, porque os sindicatos não têm como função única defender apenas os interesses diretos de seus associados. Se assim fosse, o próprio país não avançaria.

Hoje, os sindicatos travam uma batalha no Congresso Nacional para que não sejam soterradas – pelo avanço conservador – conquistas dos trabalhadores e de toda a sociedade brasileira. Como o PL 4330, que permite a terceirização até das atividades-fim de empresas privadas (e com isso precariza os direitos trabalhistas e a qualidade do serviço prestado). Ou o PL 555, que pretende privatizar as empresas públicas, entregando ao capital e ao rentismo internacional instituições estratégicas para o país.

E também não é apenas isso – como se todas estas frentes de luta fossem pouca coisa. O sindicalismo, e em especial o SindBancários, dialoga e interage com a sociedade da qual faz parte. E pratica políticas de solidariedade entre trabalhadores e também para os setores sociais que não têm qualquer organização forte para lutar por si.

É nesta perspectiva que fazem sentido as campanhas de roupas e alimentos para flagelados, o apoio aos sem teto (como os moradores da Ocupação Lanceiros Negros), a ação solidária com os movimentos sociais e políticos e as lutas de minorias e de grupos discriminados.

Para o Sindicato, a sociedade brasileira precisa avançar em direitos sociais, salários e condições de trabalho dignas, não para uma casta, mas para todos. Nenhum a menos.

Texto: José Antônio Silva – Imprensa SindBancários

 

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