Banco do Brasil anuncia plano de reestruturação “mais cruel desde a década de 1990”

Plano prevê fechamento de agências, perdas de gratificação e redução do papel do banco público

 

Na manhã desta segunda-feira (11), a direção do Banco do Brasil pegou de surpresa os funcionários e as entidades sindicais. O banco anunciou um plano de restruturação, considerado um ataque à categoria, que prevê o fechamento de agências e outras unidades, além de um Plano de Demissões Voluntários (PDV) com meta de dispensar 5 mil trabalhadores. Para Bianca Garbelini, representante da Fetarfi/RS na CEBB e Diretora do Sindbancários de Porto Alegre e Região, o plano é um verdadeiro desmonte do Banco do Brasil como instituição pública. “Este é o plano mais cruel desde a década de 1990. Um verdadeiro desmonte do BB enquanto instituição pública com função social. É desumano com os colegas que vão perder comissão”, reagiu. Para Bianca, “ a impressão é que este é o grande plano de Guedes e do neoliberalismo: desmontar o banco; uma nova forma privatizar. Você vai fatiando as coisas coisas e entregando as carteiras para os privados aí chega uma hora que não sobra mais nada”.

Entenda

O anúncio prevê ainda mudanças em 870 pontos de atendimento por meio do fechamento de agências, postos de atendimento e escritórios e a conversão de 243 agências em postos. Bem como a transformação de oito postos de atendimento em agências, de 145 unidades de negócios em Lojas BB, além da relocalização de 85 unidades de negócios e a criação de 28 unidades de negócios. O PDV prevê duas modalidades de desligamento: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), para o que a direção do banco considera excessos nas unidades; e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), para todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos. O banco também quer fazer mudanças no atual modelo e remuneração dos caixas executivos, que deixariam de ter a gratificação permanente a passariam a ter uma gratificação proporcional apenas aos dias de atuação, se houver. “Fomos informados pelos funcionários, que receberam o comunicado do banco às 9h. Foi um desrespeito com os funcionários e com as entidades sindicais. Somos contrários a esse plano, que retira do BB o papel de banco público. Também prejudica os caixas executivos, que terão perdas. Na reunião de hoje, as informações foram poucas”, afirmou João Fukunaga, coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB). Na reunião com a CEBB, os representantes do BB admitiram que não tinham todas as informações por ser o dia do anúncio do plano de restruturação. “Estudamos medidas judiciais e orientamos os bancários que procurem seus sindicatos para mais informações. O anúncio do plano provocou muita preocupação entre os funcionários. Agora, quem está em home office vai querer voltar a trabalhar presencialmente porque está preocupado para não deixar de ser notado em um momento de redução de pessoal. Tudo isso acontece em meio à pandemia”, criticou Fukunaga. Participaram da reunião desta segunda-feira vários representantes de federações de bancários de todo o Brasil. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do (Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a CEBB orientam os sindicatos a fazerem reunião para saber o impacto do plano nas suas bases e repassassem as informações para as federações. A CEBB vai realizar nova reunião na quarta-feira (13) para discutir um calendário de lutas e de mobilização dos funcionários.

Informações: Contraf-CUT com edição Fetrafi-RS

 

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