Santander impõe terceirização sem qualquer transparência ou respeito

Em reunião com a Comissão de Organização dos Empregados (COE) nesta semana, o Santander admitiu que está terceirizando o setor de investimentos do banco, o Quarteirão de Investimentos. Segundo o banco, os trabalhadores serão “convidados” a aderir ao processo e, caso aceitem, serão demitidos do banco, sem justa causa, e recontratados pela Corretora de Valores, empresa do Grupo Santander. O banco disse ainda que esses contratos seriam, pelo menos nesse primeiro momento, no regime CLT; e que os trabalhadores que não aceitarem deverão procurar outra vaga no banco, de acordo com sua qualificação. O banco também informou que pretende finalizar o processo em até 60 dias.

A COE questionou, mas o banco não informou qual seria o salário, a PLR e os direitos dos bancários uma vez na corretora. Segundo a representante do Santander, haverá conversas com cada trabalhador sobre essas questões.

O funcionário do Santander e secretário-executivo do SindBancários de Porto Alegre e Região, Luiz Cassemiro, afirma que falta de transparência do Santander e a ausência de qualquer negociação com o movimento sindical mostra o quanto o Santander está alinhado com a política do governo federal desde 2016 impõe prejuízos aos trabalhadores, como as alterações nas leis trabalhistas.

Para Cassemiro, com essa recontratação de assessores de investimento pela Corretora de Valores do grupo, o Santander está praticando mais uma vez a terceirização vertical, transferindo bancários para empresas do grupo, a exemplo da SX Negócios, F1RST. “Estes trabalhadores continuarão fazendo as mesmas tarefas de antes, mas com remuneração menor e menos direitos”, aponta. “Não podemos esquecer da Prospera, uma empresa de microcrédito do grupo onde trabalhadores produzem como bancários não sendo bancários”.

Intermediação fraudulenta de mão de obra

“Certamente os salários, PLR e demais direitos desses trabalhadores serão reduzidos”, reforça André Camorozano, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Mas o banco, acrescenta André, está “vendendo” essa mudança como modernidade.

“A propaganda que o banco faz é que os trabalhadores serão ‘sócios’ da empresa, que esse novo modelo de negócio trará vantagens para eles e para os clientes. Isso é uma afronta à inteligência dos trabalhadores! Porque sabemos que o banco está fazendo isso justamente para reduzir salários e direitos”, critica.

“Estamos vivendo em um país com 12 milhões de desempregados, e o Santander se vale dessa situação e dos ataques sofridos pela classe trabalhadora nos governos Temer e Bolsonaro para impor prejuízos a seus funcionários: eles continuarão fazendo as mesmas tarefas de antes, mas com remuneração menor e menos direitos. O que o Santander chama de ‘sociedade’, nós chamamos de intermediação fraudulenta de mão de obra”, denuncia Vera Marchioni, diretora Executiva do Sindicato.

André Camorozano, orienta os trabalhadores a não pedir demissão. “Há coordenadores dizendo, em conversas privadas com os bancários, que se não aderirem será ‘olho da rua’, usando exatamente essas palavras. O banco apresenta como uma maravilha, mas sabemos que a terceirização é a precarização dos empregos.”

O banco Santander está conseguindo terceirizar por conta das mudanças nas leis promovidas a partir de 2016, com o golpe ao governo Dilma Rousseff.

O banco está se aproveitando de uma janela política para impor redução de direitos. Por isso é fundamental que a gente consiga eleger, em outubro, um Congresso Nacional que nos represente, que represente a classe trabalhadora. Temos que eleger deputados e senadores que, uma vez em Brasília, trabalhem para revogar esses ataques sofridos desde o governo Temer e agravados no governo Bolsonaro.

Fonte: Imprensa SindBancários com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

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