“Se não reduzirmos o enorme fosso entre os que têm e os que não têm, estaremos construindo um mundo com mais tensões, desconfiança, crises e conflitos”, diz secretário-geral da ONU

A população mundial chegou a 8 bilhões na terça-feira, 15 de novembro de 2022, de acordo com a Organização das Nações Unidas. O secretário-geral, António Guterres, considera que atingir o marco é uma prova de avanços científicos e melhorias em questões como nutrição, saúde pública e saneamento. No entanto, o líder da ONU adverte, em artigo, que, à medida que a família humana cresce, também está ficando mais dividida.

“Bilhões de pessoas estão em dificuldades; centenas de milhões passam fome ou estão até subnutridas. Um número recorde de pessoas procura oportunidades, o alívio de dívidas e de dificuldades, das guerras e dos desastres climáticos”, afirma Guterres. “Se não reduzirmos o enorme fosso entre os que têm e os que não têm, construiremos um mundo de 8 bilhões repleto de tensões, desconfiança, crises e conflitos.” O secretário-geral alerta que a desigualdade faz com que um pequeno grupo de bilionários possua a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial.

Os que estão entre os 1% mais ricos do mundo detêm um quinto do rendimento mundial. As pessoas nos países mais ricos podem viver até 30 anos a mais do que nos países mais pobres. À medida que o mundo se tornou mais rico e saudável nas últimas décadas, essas desigualdades também se agravaram

Números recordes

O chefe das Nações Unidas aponta a existência de bilhões de pessoas em dificuldades e centenas de milhões com fome. Além disso, ele cita números recordes de habitantes do planeta fugindo de casa em busca de ajuda. E também questões como “dívidas, dificuldades, guerras e desastres climáticos”.

De acordo com a ONU, a população global levou 12 anos para crescer de 7 para 8 bilhões. Mas chegará a 9 bilhões em cerca de 15 anos, em 2037. O Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), promove a campanha #8BillionStrong no qual os usuários compartilham material de educação sobre oito tendências para um mundo de 8 bilhões de pessoas.

“É preciso ter uma perspectiva de direitos humanos quando se pensa em adaptações no planeta às alterações climáticas”, diz a diretora do Unfpa, Mônica Ferro.

“O mundo tem de reconhecer que este é um momento para se investir na pessoas. Porque esse números são pessoas. Ao darmos um ‘zoom’ nesses números, temos que ter nesse ‘zoom’ a qualidade de vida das pessoas, o que os países precisam fazer que o mundo tenha 8 bilhões de pessoas que possam viver com dignidade. E nós sabemos o que é preciso fazer.”

A agência da ONU apontou que, à medida que as regiões crescem em ritmos diferentes, a distribuição geográfica da população global está mudando.

A partir deste ano, mais da metade da população mundial viverá na Ásia, com a Índia e a China representando a maior parte dos habitantes no leste e sudeste da Ásia, onde se concentram 2,3 bilhões de pessoas.

Como os países com os mais altos níveis de fecundidade tendem a ter a menor renda per capita, o crescimento da população global se concentrou nos países mais pobres do mundo.

O aumento populacional amplia o impacto ambiental do desenvolvimento econômico, com o aumento da renda per capita impulsionando a produção e o consumo insustentáveis. O ritmo de crescimento mais lento ao longo de décadas pode ajudar a mitigar os danos ambientais na segunda metade do século atual.

“Espero que a COP27 resulte em um Pacto de Solidariedade Climática histórico. Para que as economias desenvolvidas e emergentes se unam em torno de uma estratégia comum. E combinem as suas capacidades e recursos para o benefício da humanidade”, diz Guterres.

“Os países mais ricos devem dar apoio financeiro e técnico às principais economias emergentes para a transição dos combustíveis fósseis. Esta é a nossa única esperança para cumprir as nossas metas climáticas.”

Fonte: Rede Brasil Atual


Compartilhe este conteúdo: