Diversidade social brasileira no Planalto

Composição da equipe de Lula, com 11 mulheres, além de negros e indígenas em cargos decisivos, chama atenção do mundo

 

O Brasil está de volta no cenário político internacional, novamente lado a lado com as outras nações que se propõem a resolver suas questões particulares, como também a enfrentar os grandes desafios mundiais. Entre os pontos importantes, que marcaram a posse de Luiz Inácio da Silva e foram inclusive enfatizados pela imprensa internacional, estão a retomada da institucionalidade, a necessidade de reconstrução do país associado ao combate às desigualdades e, em especial, a proposta de realização do governo com representação da diversidade da sociedade brasileira.

Simbologia e compromissos

Para o secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, “a imagem de Lula subindo a rampa do Planalto com representantes dos excluídos historicamente no Brasil, não ganhou a capa dos jornais mundo afora à toa, essa cena é um compromisso político muito sério, que traz novas perspectivas de postura política do país diante da sociedade e do mundo”.

A nova estrutura da Esplanada e a composição do primeiro escalão de Lula aponta para o que fala o secretário: 11 pastas comandadas por mulheres (incluído o do Esportes, com a atleta olímpica Ana Moser), a volta dos ministérios da Igualdade Racial (com Anielle Franco à frente) e do Trabalho (com Luiz Marinho, ex-presidente da CUT), além da criação do inédito Ministério dos Povos Indígenas (com Sônia Guajajara).

Sinais animadores

Outros sinais são também animadores para a retomada do processo civilizatório no Brasil, na observação de Almir, que também integra o Coletivo Nacional de Combate ao Racismo da CUT. “O fato de o novo ministro dos Direitos Humanos ser um militante de combate ao racismo diz muito do espaço para diálogo e reivindicação que os movimentos populares terão a partir de agora”, diz. O advogado Silvio Almeida, que assumiu a pasta, atua na área de direitos humanos há mais de vinte anos e é autor do livro Racismo Estrutural (editora Pólen, 2019), trabalho em que essa expressão foi cunhada, e hoje é amplamente usada para mostrar o quando o preconceito racial está entranhado na sociedade brasileira.

A retomada da Fundação Palmares, para que ela recupere sua verdadeira missão de promover e preservar a cultura negra e afro-brasileira, é outro marco. “A nomeação de João Jorge Rodrigues, ícone da cultura negra no Brasil, presidente do bloco Olodum, é animadora, assim como a de Margareth Menezes para a Cultura”, avalia o secretário. “Ao colocarmos a Palmares de volta ao rumo, depois de um período vergonhosamente negacionista e de reafirmação do racismo, voltamos a reconhecer e a valorizar não apenas a cultura negra, mas toda a diversidade brasileira”, conclui.

 

Fonte: Contraf-CUT

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